Pressão alta e diabetes ampliam risco cardíaco além do colesterol

Cláudio Vasconcelos
3 Min Leitura

Cardiologistas defendem avaliação completa para prevenir infarto e AVC. Idade, tabagismo, obesidade e histórico familiar também devem orientar o tratamento.

Durante muito tempo, a leitura isolada do LDL — popularmente conhecido como “colesterol ruim” — foi considerada suficiente para definir quando iniciar ou ajustar tratamentos destinados a evitar infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). A abordagem, no entanto, deixou de contemplar toda a complexidade do processo de formação de placas de gordura nas artérias, lembram cardiologistas.

O LDL continua tendo papel central na aterosclerose, mas especialistas destacam que idade, hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar de infarto precoce, doença renal crônica e estilo de vida alteram de forma significativa o risco cardiovascular mesmo quando dois indivíduos apresentam valores idênticos de colesterol. Por esse motivo, a decisão clínica não deve basear-se em um exame isolado.

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A cardiologia vive hoje a era da prevenção personalizada. Entre as ferramentas que refinam a estratificação de risco estão a dosagem de lipoproteína(a), cuja concentração é fortemente determinada pela genética, e a apolipoproteína B (ApoB), marcador que estima o número de partículas capazes de infiltrar a parede arterial. Outro recurso em expansão é o escore de cálcio coronariano, obtido por tomografia computadorizada, que identifica calcificações silenciosas nas artérias do coração antes do aparecimento de sintomas.

Esses exames não fazem parte do check-up de rotina de toda a população. Eles são recomendados em cenários específicos — por exemplo, quando há dúvida sobre a necessidade de iniciar medicamento ou intensificar o cuidado em pessoas com fatores de risco adicionais. A orientação é realizar uma avaliação médica individualizada para definir quais testes valem a pena em cada caso.

Um conceito que ganha força é o de carga acumulada de colesterol. Segundo especialistas, o organismo sofre os efeitos do LDL elevado ao longo de décadas, frequentemente sem sinais clínicos. Quando o evento cardíaco acontece, a aterosclerose já pode estar avançada. Por isso, controlar precocemente o colesterol em quem realmente precisa resulta em maior redução de risco ao longo da vida.

“Essa é a principal mudança da cardiologia moderna: tratar pessoas, e não apenas resultados de laboratório.”

Diretrizes recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, da European Society of Cardiology, da American Heart Association e de outras entidades reforçam que metas de colesterol variam conforme o perfil do paciente. Em alguns casos, hábitos saudáveis bastam; em outros, estatinas, inibidores de PCSK9 ou terapias emergentes se tornam necessários.

Na prática, a prevenção eficaz parte de uma visão ampla: identificar fatores modificáveis, medir corretamente o risco e adotar estratégia proporcional ao cenário clínico. Com isso, o objetivo é reduzir a incidência de infartos e AVCs e aumentar a qualidade de vida.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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