Brasil perde área nativa equivalente a quase duas vezes Sergipe desde 1985

William Kevim
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Levantamento do MapBiomas mostra que a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território brasileiro em 41 anos. Agropecuária lidera a conversão de áreas naturais.

O Brasil reduziu de 79% para 65% a sua cobertura de vegetação nativa entre 1985 e 2025, revela a Coleção 11 dos Mapas Anuais de Cobertura e Uso da Terra do Brasil, elaborada pelo MapBiomas e divulgada nesta quarta-feira (12). O levantamento compara dados de 41 anos e mostra que, apesar da desaceleração recente do desmatamento, a pressão sobre ecossistemas naturais permanece elevada.

Segundo o estudo, aproximadamente um terço do território nacional (33%) passou por ao menos uma alteração de uso e cobertura no período. A principal transição foi a conversão de formações nativas em áreas de agropecuária, correspondente a 56% das mudanças mapeadas. Ao todo, 241 milhões de hectares sofreram alguma modificação, enquanto 67% do país manteve-se estável.

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Em valores absolutos, a Formação Florestal continua como o principal tipo de cobertura natural, totalizando 359,5 milhões de hectares em 2025 (42,3% do Brasil). Contudo, esse grupo perdeu 65 milhões de hectares no intervalo analisado, liderando a redução entre as classes de vegetação. Também apresentaram quedas expressivas a Formação Savânica (46 milhões de hectares) e a Formação Campestre.

Já as áreas antrópicas cresceram de forma consistente. As pastagens expandiram-se em 61,6 milhões de hectares, seguidas pela agricultura (alta de 48 milhões), silvicultura (8 milhões) e ocupação urbana (2,5 milhões). Na Mata Atlântica, a silvicultura adicionou 4,1 milhões de hectares, enquanto Cerrado e Mata Atlântica concentraram a conversão de pastagens em agricultura.

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O Pantanal registrou redução de 4 milhões de hectares em superfícies de água e campos alagados. O estudo também passou a mapear a classe “savana alagada”, que encolheu 84% entre 1985 e 2025, de 1,1 milhão para 174 mil hectares.

A pesquisa relaciona as mudanças de uso da terra a condições climáticas extremas. Anomalias de precipitação observadas em eventos fortes de El Niño (1997–1998, 2015–2016 e 2023–2024) indicam secas mais severas na Amazônia, Cerrado e parte norte da Mata Atlântica, com exceção do Pampa e do Sul da Mata Atlântica, onde houve aumento de chuvas. Um El Niño de intensidade semelhante é esperado em 2026, o que pode acentuar esses impactos.

A Amazônia respondeu pelo maior déficit pluviométrico nos três eventos analisados. No episódio mais recente, a maior queda nas chuvas ocorreu justamente em regiões de agropecuária dentro do bioma. No Cerrado, a seca tem se intensificado sobretudo em áreas de vegetação nativa, enquanto o Pantanal viveu em 2024 o ano mais seco da série histórica.

Em termos percentuais, Caatinga e Mata Atlântica foram destaques positivos por registrarem as maiores reconversões de uso agropecuário para vegetação nativa: 4,4 milhões e 6,2 milhões de hectares, respectivamente. Ainda assim, o saldo geral permanece de perda para os ambientes naturais.

Os dados consolidam tendências e reforçam a relação entre uso da terra e vulnerabilidade climática, apontando a necessidade de ações integradas para conter o desmatamento e mitigar os efeitos de eventos extremos previstos para os próximos anos.

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.
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