Descoberta de hammam islâmico revela nova peça do patrimônio histórico de Loulé, Portugal

William Kevim
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Trabalhadores envolvidos na reforma de uma antiga residência no centro histórico de Loulé, cidade de aproximadamente 15 mil habitantes no sul de Portugal, encontraram sob a estrutura do imóvel uma construção que alterou o entendimento sobre a presença islâmica na região. As escavações, iniciadas após a aquisição do prédio pela Câmara Municipal em 2006, revelaram um hammam – casa de banhos pública típica do período de Al-Andalus – que se tornou a única de seu tipo identificada até o momento em território português.

Segundo os arqueólogos responsáveis, a investigação prosseguiu durante vários anos para confirmar a natureza do achado. A análise estratigráfica, associada ao estudo de materiais cerâmicos e de elementos arquitetônicos, permitiu datar a estrutura entre os séculos XII e XIII, fase em que parte da Península Ibérica esteve sob domínio muçulmano. Os hammams funcionavam não apenas como espaços de higiene, mas também como importantes pontos de encontro social e locais de convivência comunitária nas cidades islâmicas.

“Foi realmente uma grande sorte, um tesouro que nós tínhamos enterrado aqui debaixo de Loulé”, declarou o arqueólogo Rui de Almeida, que participou da equipe de investigação.

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O bom estado de conservação surpreendeu os pesquisadores. Foram identificadas salas de calor, de água fria e de transição, além de sistemas de canalização originais para escoamento e aquecimento, o que contribuiu para classificar o sítio como um dos mais completos exemplos de arquitetura de banhos islâmicos no ocidente europeu.

Em 2022, as autoridades locais concluíram a adaptação do espaço para visitação pública, transformando o antigo balneário em museu dedicado à história islâmica de Loulé. No ano seguinte, o governo português reconheceu o conjunto como Monumento Nacional, reforçando a relevância cultural do achado e impulsionando o turismo arqueológico na região.

Outros vestígios do período islâmico permanecem visíveis na cidade, como o castelo do século VIII e o mercado municipal, erguido no início do século XX com inspiração moura. O próprio nome Loulé deriva do termo árabe Al-Ulyã, que significa “a superior” e faz referência à posição geográfica elevada da localidade.

A influência moura também se manifesta em práticas artesanais ainda preservadas no Algarve. Em Faro, por exemplo, um ateliê familiar mantém a produção de azulejos hispano-mouriscos utilizando métodos tradicionais. A palavra “azulejo”, do árabe al-zulayj (“pedra polida”), reforça a importância das trocas culturais que marcaram oito séculos de convivência entre povos cristãos e muçulmanos na Península Ibérica.

Para os especialistas, a descoberta do hammam confirma a relevância de Loulé como ponto estratégico durante o período de Al-Andalus e oferece novos elementos para o estudo da arquitetura islâmica em Portugal. A expectativa é de que futuras pesquisas no local contribuam para compreender como a população utilizava esses espaços públicos e como eles se integravam à malha urbana medieval.

Enquanto novos levantamentos acadêmicos são planejados, o museu permanece aberto, atraindo visitantes interessados em conhecer de perto a engenharia hidráulica e a decoração singela, composta por estuques e tijolos dispostos em padrões geométricos característicos da arte islâmica. A administração municipal avalia, ainda, a possibilidade de criar roteiros temáticos ligando o hammam a outros marcos históricos da cidade, com o objetivo de fomentar o turismo cultural e fortalecer a economia local.

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.
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