Washington nega interferência eleitoral em missão adiada ao Brasil

Robson Alves
3 Min Leitura

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou, neste sábado, 25, que a missão que seria enviada a Brasília entre os dias 27 e 30 tivesse qualquer intenção de interferir nas eleições presidenciais de 2026 no Brasil.

O plano de viagem envolvia dois integrantes da pasta: Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. De acordo com o governo norte-americano, os diplomatas pretendiam participar de reuniões com representantes do governo brasileiro, líderes religiosos e organizações da sociedade civil para tratar de temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

O Itamaraty, porém, recusou os pedidos de visto apresentados pelos dois funcionários da administração Donald Trump. A decisão foi tomada depois de o jornal The Washington Post noticiar que a delegação cogitava questionar a segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro, avaliação que, segundo o Ministério das Relações Exteriores, poderia ser interpretada como tentativa de ingerência no processo democrático marcado para 4 de outubro.

Publicidade

Em nota oficial, o Departamento de Estado rejeitou a interpretação de que a viagem buscava influenciar o pleito nacional.

Qualquer insinuação de que a missão seria uma manobra para minar as eleições brasileiras é “uma mentira sem qualquer fundamento”.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

A chancelaria brasileira, por sua vez, não se manifestou publicamente além da confirmação da negativa de vistos. Nos bastidores, diplomatas afirmam que a medida visou preservar o princípio de não intervenção previsto na Constituição e na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

A controvérsia adiciona um novo capítulo à recente escalada de atritos entre Brasília e Washington. Nas últimas semanas, os dois países também trocaram críticas sobre tarifas aplicadas a produtos agrícolas e diferenças em fóruns multilaterais. Analistas ouvidos em condição de reserva apontam que o episódio pode ampliar o clima de desconfiança às vésperas do ciclo eleitoral.

Até o momento, não há indicação de que a missão será remarcada. O Departamento de Estado informou que continua aberto ao diálogo e que pretende “identificar novas datas” para discutir com autoridades brasileiras “questões de interesse mútuo”, sem detalhar quais seriam os próximos passos.

As eleições presidenciais brasileiras estão previstas para ocorrer em 4 de outubro, quando aproximadamente 152 milhões de eleitores irão às urnas para escolher o próximo chefe do Executivo federal.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias