Pyongyang lançou um projétil balístico ao mar do Japão, no 11º teste do tipo em 2026. Disparo ocorreu dias antes de exercícios militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul.
A Coreia do Norte lançou nesta quarta-feira (12) um míssil balístico em direção ao mar do Japão, segundo autoridades de defesa da Coreia do Sul e do Japão. O projétil partiu da região costeira de Wonsan, no leste do território norte-coreano, seis dias depois de um disparo semelhante originado do mesmo ponto. Trata-se, de acordo com avaliações sul-coreanas, do 11º teste de arma balística realizado pelo regime de Pyongyang em 2026.
A trajetória inicial indica um alcance aproximado de 700 quilômetros. O Estado-Maior Conjunto sul-coreano informou que especialistas ainda analisam as especificações para determinar o tipo exato de armamento. Analistas observam que a distância percorrida se enquadra na faixa de mísseis de curto alcance, mas não descartam outras possibilidades. Entre as hipóteses em estudo estão um míssil hipersônico ou um modelo lançado a partir de submarino.
O teste ocorre poucos dias antes do início do exercício militar Ulchi Freedom Shield, treinamento combinado das forças da Coreia do Sul e dos Estados Unidos programado para o período de 17 a 27 de agosto. O objetivo oficial das manobras é reforçar a capacidade de resposta a eventuais ameaças nucleares ou convencionais da Coreia do Norte, que costuma condenar publicamente esse tipo de atividade.
“Mesmo que tenha sido um teste de uma arma em desenvolvimento, escolher quando realizá-lo exige uma decisão política”, avaliou Hong Min, pesquisador sênior do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, em Seul.
Entre Seul e Tóquio, a reação foi imediata. O Escritório de Segurança Nacional sul-coreano convocou reunião de emergência para discutir o episódio e reiterou apelo a Pyongyang para que interrompa lançamentos que violam resoluções do Conselho de Segurança da ONU. As Forças Armadas sul-coreanas declararam manter prontidão para responder de forma “avassaladora” a qualquer nova provocação, em coordenação com os Estados Unidos.
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou que o governo de Tóquio apresentou “forte protesto” por meio de canais diplomáticos e condenou o disparo.
Em nota separada, o Comando Indo-Pacífico dos EUA informou que monitora a situação em contato estreito com aliados e que, numa avaliação preliminar, o teste não representou ameaça imediata a pessoal ou território norte-americano. Até o momento, não houve comentário de veículos estatais norte-coreanos sobre o lançamento.
O episódio ocorre em meio a tensões regionais mais amplas. Na terça-feira (11), a imprensa oficial de Pyongyang criticou o Livro Branco de Defesa divulgado pelo Japão, classificando o documento como tentativa de justificar a expansão militar japonesa. No mesmo dia, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que mísseis balísticos de origem norte-coreana teriam sido empregados pela Rússia em ataque que matou sete funcionários de uma usina siderúrgica em Zaporizhzhia.
Desde o início do ano, a Coreia do Norte vem alternando testes de mísseis balísticos, foguetes de artilharia e outras armas táticas, estratégia que observadores atribuem tanto ao desenvolvimento de novas capacidades quanto à demonstração de força frente a exercícios militares de países vizinhos. Analistas consideram provável que novos lançamentos ocorram ao longo de agosto, especialmente durante o Ulchi Freedom Shield.
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