EUA ressuscitam Doutrina Monroe e elevam pressão sobre a América Latina

Robson Alves
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O Departamento de Estado publicou vídeo afirmando que a primazia americana no Hemisfério Ocidental não será mais questionada. A mensagem recoloca a Doutrina Monroe no centro da estratégia dos EUA.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou HOJE, 11/08, um vídeo na rede social X no qual afirma que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”. O material trouxe de volta ao debate a Doutrina Monroe, anunciada em 1823 pelo então presidente James Monroe como um recado às potências europeias para que se abstivessem de novas investidas coloniais nas Américas.

Na época de seu lançamento, a doutrina foi resumida pela expressão “América para os americanos” e tinha como objetivo principal impedir a recolonização de territórios recém-independentes na América Latina. Os Estados Unidos, ainda sem o poderio militar que viriam a exercer mais tarde, lançaram a declaração sobretudo como advertência diplomática.

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“Os continentes americanos […] não devem, doravante, ser considerados passíveis de colonização por quaisquer potências europeias”, registrou Monroe em sua mensagem anual ao Congresso em 1823.

Com o fortalecimento econômico e militar de Washington ao longo do século XIX, a Doutrina Monroe passou a ser reinterpretada como reivindicação de liderança dos EUA sobre o hemisfério. A partir de 1904, o Corolário Roosevelt acrescentou que o país poderia intervir em nações latino-americanas em determinadas circunstâncias, ampliando o alcance prático da política.

Durante a Guerra Fria, a doutrina ganhou novo fôlego. A presença soviética em Cuba e a posterior Crise dos Mísseis, em 1962, foram enquadradas pelos EUA como violações diretas da lógica estabelecida em 1823. O presidente John F. Kennedy advertiu que qualquer míssil lançado de Cuba contra países do hemisfério seria tratado como ataque da União Soviética aos Estados Unidos.

No século XXI, o conceito voltou ao centro da estratégia externa norte-americana. Em dezembro de 2025, a Casa Branca anunciou um “Corolário Trump”, ressaltando a prioridade da região nas novas diretrizes de segurança nacional. O então presidente Donald Trump declarou em janeiro de 2026:

“A Doutrina Monroe é algo muito importante, mas nós a superamos em muito. Agora a chamam de Doutrina Donroe.”

Segundo analistas, a releitura mais assertiva mescla a intenção de conter a influência de potências externas, especialmente a China, com o combate a cartéis de drogas e o controle de rotas estratégicas. As pressões recentes sobre a infraestrutura do Canal do Panamá, as ações direcionadas contra Venezuela e Cuba e o reposicionamento militar no Caribe foram apresentados pelo governo como exemplos práticos da nova abordagem.

O vídeo divulgado HOJE segue essa linha, reafirmando que a liderança norte-americana no hemisfério “nunca mais será questionada”. A publicação gerou reações diversas entre especialistas em relações internacionais, que veem na mensagem um sinal de continuidade da política de primazia dos EUA sobre o continente.

Em meio às discussões, questionamentos surgem sobre a eventual extensão dessa postura a países como o Brasil, onde facções criminosas listadas por Washington como organizações terroristas atuam transnacionalmente. Até o momento, não há informações oficiais sobre eventuais operações militares nesse sentido, mas o tema permanece no radar de observadores da região.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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