Teerã exige o fim das sanções e compensações dos EUA para liberar a rota. O bloqueio pode elevar custos de petróleo e gás, com reflexos para o consumidor brasileiro.
O governo iraniano voltou a afirmar que só reabrirá o Estreito de Ormuz após os Estados Unidos atenderem a uma série de exigências, entre elas o pagamento de compensações pelos danos provocados em ataques aéreos e o levantamento das sanções econômicas. A via marítima é responsável pelo escoamento de grande parte do petróleo e do gás produzidos no Golfo e permanece bloqueada por Teerã desde o fim de fevereiro, quando Washington e Israel iniciaram ações militares contra alvos iranianos.
Em 09/08, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que as negociações com Omã para definir novas rotas de navegação “estão em seus estágios finais”. O acordo bilateral prevê um traçado que permita o retorno do tráfego comercial assim que as condições impostas pelos iranianos forem cumpridas.
“A passagem só será reaberta após a compensação financeira e o fim das ameaças militares”, disse Araghchi, reiterando posicionamento já apresentado no sábado.
Teerã afirma que, enquanto Washington mantiver o bloqueio naval iniciado em julho e violar um acordo provisório firmado em junho, não haverá diálogo direto entre os dois países. Segundo Araghchi, as mensagens continuam a ser trocadas por meio de intermediários.
Um funcionário americano, que falou sob condição de anonimato, confirmou que existe uma sequência de passos para chegar a um entendimento. Conforme ele, os Estados Unidos pretendem suspender o bloqueio portuário “assim que o Irã implementar seus compromissos”, mas a medida estaria condicionada ao anúncio formal de um pacto que garanta a navegação comercial sem impedimentos.
Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Entre as exigências elencadas pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohammad Baqer Zolqadr, estão: fim de ameaças contra o Irã; interrupção de ações consideradas agressivas aos aliados libaneses, palestinos, iemenitas e iraquianos; retirada do bloqueio naval no Golfo; suspensão integral das sanções; e liberação de ativos iranianos congelados no exterior.
Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou em entrevista que seu governo está “mantendo um perfil discreto” diante da crise. Ele mencionou a alta inflação no Irã e a falta de recursos financeiros em Teerã, sem detalhar quais concessões pretende aceitar.
Fontes internacionais apontam que o eventual acordo pode conceder ao Irã maior controle sobre a movimentação de embarcações que entram no Golfo, ponto considerado sensível por armadores internacionais. A complexidade logística e política dessa possível mudança ainda gera ceticismo entre especialistas do setor.
O clima na região segue tenso. Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de atingir um navio ligado à empresa estatal de petróleo do país no fim de semana. Teerã não comentou o episódio. Paralelamente, rebeldes houthis, aliados iranianos baseados no Iêmen, intensificaram ofensivas contra embarcações no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, além de declararem bloqueio naval à Arábia Saudita.
No domingo (9), os houthis afirmaram ter atacado a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco. O Ministério da Energia saudita confirmou um incêndio controlado na instalação, sem vítimas, sem apontar causa. Dias antes, a Arábia Saudita assinara um pacto de defesa com Turquia e Paquistão, alegando necessidade de resposta à instabilidade regional.
Confrontos também voltaram a ocorrer em solo iemenita. Em 10/08, militares relatam que sete pessoas, entre civis e soldados, morreram em um ataque houthi à cidade portuária de Mocha. As defesas aéreas teriam interceptado 11 drones lançados na ação.
Ainda não há cronograma definido para a conclusão do acordo entre Irã e Omã, nem para eventuais passos de Washington. Enquanto isso, o bloqueio no Estreito de Ormuz mantém o mercado energético em alerta, com impactos sobre preços internacionais do petróleo e do gás.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









