Vital do Rêgo Filho participava de evento em Cali quando o tremor de magnitude 7,4 atingiu a região. Ele relatou que deixou o oitavo andar pela escada de emergência.
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, vivenciou momentos de tensão nesta segunda-feira (10/08) em Cali, na Colômbia, onde participava de uma assembleia de entidades de controle da América Latina quando um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu a região.
Segundo o relato de Vital, o tremor começou por volta das 7h, enquanto ele se preparava para descer ao café da manhã no hotel. Ele contou que a cama e o lustre balançaram antes de o abalo ganhar intensidade, forçando-o a deixar o quarto e procurar a escada de emergência no oitavo andar.
“O hotel não indicou com muita clareza a escada, mas eu estava no oitavo andar; as pessoas corriam enquanto o prédio continuava balançando”, descreveu.
A fuga ocorreu em meio a estilhaços de vidro e partes de concreto que se desprendiam. Os hóspedes permaneceram cerca de uma hora e meia do lado de fora até receberem autorização para retornar ao prédio, que resistiu estruturalmente graças, segundo Vital, ao projeto conduzido por engenheiros japoneses.
Minutos depois, um novo alarme soou alertando para possível réplica sísmica.
“Saímos de novo para o hotel, mas essa segunda onda não foi sentida aqui em Cali”, acrescentou.
De acordo com o presidente do TCU, o segundo tremor acabou registrado em outras áreas do país.
Os efeitos atingiram também o apartamento onde ele se hospedava: uma rachadura vertical apareceu na parede, demonstrando a força do deslocamento das placas tectônicas. Em razão dos danos e do abalo emocional, Vital cancelou a assembleia da Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores, encontro que reunia 19 dirigentes de órgãos de controle e mais de 300 inscritos.
A decisão considerou o agravamento da situação logística. Nove aeroportos colombianos tinham operações suspensas, o que dificultou o retorno das delegações. O aeroporto de Cali recebeu permissão temporária para funcionar, permitindo que Vital e outros participantes tentassem embarcar com apoio da embaixada brasileira.
“Só não vou ficar aqui, vou sair daqui, porque isso realmente me abalou muito. Eu nunca, repito, nunca tinha vivido algo tão impactante”, afirmou.
Questionado sobre o medo de perder a vida, ele respondeu que chegou a sair do quarto sem sandálias:
“Eu temi”, relatou.
A experiência motivou reflexões sobre políticas de prevenção a desastres naturais. Vital disse ter comunicado ao controlador geral colombiano que o Brasil estaria pronto para oferecer auxílio material e técnico.
Em sua avaliação, a Colômbia não possui o mesmo nível de preparo que países como o Chile, onde equipes especializadas e protocolos de resposta estão consolidados. Para ele, a ocorrência reforça a necessidade de investimentos sustentados em gestão de riscos, citando ainda recentes enchentes no Rio Grande do Sul e processos de desertificação no Nordeste brasileiro como exemplos de fenômenos que exigem ações preventivas.
Autoridades locais ainda apuram danos estruturais e eventuais vítimas, mas, até o momento, não há registro de brasileiros feridos. O governo brasileiro manifestou solidariedade e acompanha a situação.
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