ESTADOS UNIDOS — Nesta quinta-feira (8/5), a Casa Branca impôs novas sanções econômicas a Cuba, incluindo o conglomerado militar estatal Gaesa e a joint venture Moa Nickel (MNSA), gerida pela cubana Companhia Geral de Níquel e pela canadense Sherritt International.
- Em resumo: Sherritt suspendeu operações na ilha; Havana teme impacto direto no já combalido setor de níquel.
Sanções miram conglomerado militar e mineradora
O pacote anunciado nos Estados Unidos atinge o Grupo de Administración Empresarial S.A. e sua presidente, a general de brigada Ania Guillermina Lastres Morera, além da Moa Nickel. A decisão ocorre sob a justificativa de segurança nacional divulgada no site oficial da Casa Branca.
Horas depois, a canadense Sherritt comunicou a parceiros cubanos a retirada imediata do país.
“[A decisão dos EUA] cria condições que alteram substancialmente a capacidade da empresa de operar no curso normal dos negócios, incluindo as atividades relacionadas às operações da joint venture da Sherritt em Cuba”, disse a Sherritt.
Níquel em risco, dizem especialistas
Para a historiadora Caridad Massón Sena, professora visitante da Universidade Federal de Uberlândia, o corte deve atingir um dos poucos ramos ainda operantes na economia cubana.
“A indústria do níquel é uma das poucas que ainda estava funcionando. E esta empresa do Canadá era muito importante para a indústria do níquel. E era uma entrada, pelo menos, de divisas [dólares]. Então, isso vai afetar”, afirmou Caridad Massón Sena.
“Eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo porque o turismo é um dos setores que mais dinheiro gera no país. E não apresentaram nunca provas disso”, comentou.
Bloqueio energético agrava crise interna
O novo ato soma-se ao bloqueio naval que, desde o fim de 2025, impede navios venezuelanos de levar petróleo a Cuba. A escassez de combustível intensificou apagões, encareceu alimentos e reduziu transporte público.
“O objetivo é afogar os cidadãos cubanos pela fome e pela necessidade. Apenas os cubanos têm o direito de mudar nosso sistema econômico e político. E hoje o presidente Trump, que é acusado de múltiplos crimes em seu próprio país, acredita no direito de impor seus interesses e de envolver o mundo em múltiplos conflitos para evitar ser julgado por sua colaboração com Jeffrey Epstein”, disse Caridad.
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Washington fala em segurança; Havana reage
Em comunicado, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que as sanções “protegem a segurança nacional” frente ao que classificou como ameaças do “regime comunista cubano”.
“Trata-se de uma agressão unilateral contra uma nação e seu povo cuja única ambição é viver em paz, senhores do próprio destino e livres da interferência perniciosa do imperialismo estadunidense”, disse o presidente Miguel Díaz-Canel.
“Agora que Israel e os Estados Unidos estão praticamente derrotados em um beco sem saída no Irã, eles querem desviar a atenção de seus erros e fracassos, apertando ainda mais o bloqueio econômico, com a desculpa de que Cuba representa uma ameaça aos EUA”, completou Caridad Massón Sena.
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Crédito da imagem: Divulgação / afroangelll (Pixabay)
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