Ausência paterna afeta saúde emocional e exige apoio na vida adulta

Cláudio Vasconcelos
4 Min Leitura

No Dia dos Pais, especialistas alertam que a falta de vínculo afetivo pode deixar marcas duradouras. Apoio psicológico e relações saudáveis ajudam a enfrentar esses impactos.

O Dia dos Pais acontece neste domingo (9) e, enquanto muitos lares se preparam para celebrar a data, parte da população lidará com a lembrança ou a realidade da ausência paterna. Especialistas em psicologia apontam que a falta de uma figura paterna ativa pode influenciar o desenvolvimento emocional, cognitivo e social desde a infância, com reflexos que se estendem até a vida adulta.

A coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, Eliana Farias, observa que a mera presença física não basta para garantir vínculos saudáveis. Segundo ela, um pai disponível emocionalmente contribui para a autoestima, a autorregulação e o desempenho escolar dos filhos.

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“Um pai emocionalmente disponível oferece segurança, estabelece limites consistentes, valida emoções e estimula a autonomia da criança”, afirma Eliana.

No entanto, a especialista destaca que a figura paterna não precisa ser o pai biológico: qualquer adulto que assuma responsabilidades afetivas pode suprir essa lacuna. Mesmo assim, quando o vínculo é frágil ou inexistente, podem surgir sentimentos de insegurança, baixa autoestima e dificuldades de confiar em relacionamentos.

“A presença física não é sinônimo de vínculo afetivo. A criança precisa sentir que é vista, ouvida e valorizada”, complementa.

Estudos clínicos indicam que a ausência paterna pode ser um fator de risco, mas não determina, por si só, o destino de uma criança. O ambiente escolar, a convivência com outros adultos acolhedores e o acesso a acompanhamento psicológico funcionam como fatores de proteção.

“Na prática clínica e nas pesquisas em psicologia do desenvolvimento, observamos que algumas crianças podem apresentar maior dificuldade na regulação das emoções, insegurança nos relacionamentos, baixa autoestima, medo de abandono ou necessidade excessiva de aprovação”, explica Eliana.

Apesar dos desafios, a superação é possível. A especialista recomenda psicoterapia, construção de vínculos seguros e investimento em autoconhecimento como caminhos para ressignificar experiências.

“O primeiro passo é reconhecer os impactos dessa experiência sem reduzir toda a própria identidade a ela. A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender padrões emocionais, fortalecer a autoestima e construir formas mais saudáveis de se relacionar”, orienta.

Além do trabalho terapêutico, a criatividade e o apoio de figuras de referência podem ajudar na reconstrução de narrativas pessoais. Nesse processo, é comum que adultos busquem, de forma inconsciente, preencher o papel paterno em parceiros, professores ou líderes, um fenômeno conhecido como transferência.

“Isso não significa que todas as pessoas que vivenciaram ausência paterna farão esse movimento, mas ele é relativamente frequente na prática clínica”, pontua a profissional.

Para evitar que padrões relacionais se repitam, identificar comportamentos, entender escolhas afetivas e transformar aprendizados em ações concretas são passos fundamentais. O cérebro humano permanece adaptável, e a reconstrução de vínculos pode ocorrer em qualquer fase da vida.

Especialistas reforçam que reconhecer a ausência, buscar apoio e estabelecer relações baseadas em confiança e diálogo criam bases para uma vida adulta mais equilibrada, mesmo quando o pai não esteve presente durante a infância.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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