O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quinta-feira (23) que o recém-aprovado acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita terá dispositivos de proteção para impedir desvio de material a fins militares. A fala ocorreu durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Manila, capital das Filipinas.
“Quando países decidem buscar um programa nuclear civil e pacífico, preferimos que o façam conosco, em vez de com outro país. Isso nos permite exercer influência sobre os rumos que o programa tomará”, afirmou Rubio.
O pacto, conhecido como “acordo 123”, foi assinado na quarta-feira (22) pelo presidente Donald Trump e segue agora para revisão obrigatória no Congresso norte-americano. Segundo autoridades envolvidas nas negociações, o documento tem duração prevista de 30 anos e prevê participação de empresas dos EUA no fornecimento de tecnologia, componentes e serviços ao programa saudita.
Um dos pontos sensíveis é a permissão para que Riad venha a enriquecer combustível para reatores civis. Fontes a par das tratativas explicam que, antes de qualquer passo prático, uma equipe conjunta avaliará a viabilidade econômica e a justificativa técnica do enriquecimento. Caso a iniciativa avance, a instalação seria construída por empresas americanas, sem transferência de tecnologia considerada sensível.
As mesmas fontes acrescentam que o texto impede a Arábia Saudita de desenvolver ou adquirir, por conta própria, métodos de enriquecimento durante a próxima década. Ainda assim, interlocutores no Oriente Médio demonstram preocupação com a possibilidade de proliferação nuclear e cobram transparência nas inspeções.
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“Basta dizer que qualquer acordo que venhamos a firmar com qualquer país do mundo sobre energia nuclear para fins civis incluirá salvaguardas para garantir que não possa ser convertido em um programa de armas; e uma das melhores salvaguardas é assegurar que a tecnologia e as empresas americanas estejam envolvidas no processo”, reforçou Rubio.
O secretário de Energia, Chris Wright, defende que o entendimento mantém “os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação” e pode representar oportunidade comercial bilionária para a indústria nuclear dos Estados Unidos, atualmente em processo de retomada. Ele também argumenta que a parceria deverá criar empregos qualificados e impulsionar o crescimento econômico de longo prazo.
Acadêmicos consultados avaliam que o acordo favorece Washington ao manter o reino saudita vinculado à tecnologia norte-americana, o que garantiria influência contínua sobre práticas de segurança e proteção. O jurista Dan Joyner, especialista em regulação nuclear, sustenta que a medida abrirá espaço para exportação de reatores, componentes e assistência técnica, desde que cada operação receba licença governamental.
O documento substitui a exigência do Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por um pacto bilateral de salvaguardas. Autoridades relatam que o reino sempre demonstrou desconforto com a possibilidade de inspetores internacionais visitarem locais considerados sensíveis, como Meca ou residências da família real. Ainda assim, a implementação depende de aval do Conselho de Governadores da AIEA.
Em capitais do Oriente Médio, diplomatas acompanham o processo com cautela. Eles lembram que qualquer brecha para enriquecimento pode, em última instância, reduzir o tempo necessário para produzir material bélico. Observadores regionais temem uma corrida armamentista, caso outros países busquem acordos semelhantes.
A Casa Branca sustenta que, se o pacto não avançar, a Arábia Saudita poderia recorrer a fornecedores como Rússia ou China, países que também oferecem tecnologia nuclear. Defensores do texto afirmam que a escolha por parceiros ocidentais dificultaria eventuais usos militares, ao mesmo tempo em que reforçaria laços estratégicos com Washington.
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