Novo lote de arquivos desclassificados inclui imagens captadas por sensor militar dos EUA em 2023. A divulgação faz parte da política de transparência sobre UAPs determinada por Trump.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou, na última sexta-feira (7), o quinto conjunto de arquivos desclassificados relacionados a Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP, na sigla em inglês). A liberação integra um programa mais amplo determinado, no início deste ano, pelo presidente Donald Trump para aumentar a transparência sobre incidentes envolvendo objetos voadores não identificados.
Entre os documentos tornados públicos está um vídeo de 51 segundos captado por um sensor infravermelho instalado em uma plataforma militar norte-americana em 2023. Nas imagens, registradas enquanto as forças norte-americanas monitoravam uma embarcação no Oriente Médio, uma área de contraste atravessa a parte inferior do quadro nos quatro segundos iniciais. Em seguida, o operador do equipamento faz uma panorâmica para manter o objeto no centro da cena, que permanece visível até o fim da gravação.
Segundo informações contidas no dossiê, o Comando Central dos EUA encaminhou relatório detalhando o episódio ao Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios (AARO). O material foi anexado ao Pursue, sigla em inglês para Sistema Presidencial de Abertura e Relatório para Encontros com UAPs, iniciativa recente conduzida pelo Departamento de Guerra com o apoio do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI).
Os novos arquivos juntam-se a quatro lotes anteriores publicados ao longo de 2026. A intenção declarada é permitir que pesquisadores independentes, parlamentares e a sociedade acompanhem o tratamento oficial dado a relatos de objetos que aparentam desafiar explicações convencionais de natureza meteorológica, aeronáutica ou espacial.
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Em relação ao caso específico do Oriente Médio, documentos técnicos apontam que, até o momento, não há conclusão sobre a origem, a natureza ou a função do fenômeno registrado. As imagens não exibem sistemas de propulsão visíveis, luzes externas ou assinaturas térmicas compatíveis com aeronaves conhecidas. Também não foram observados sinais de hostilidade ou interferência nas comunicações da força-tarefa que operava na região.
Especialistas consultados pelos órgãos de defesa sugerem hipóteses que vão de reflexos atmosféricos a drones de fabricação não identificada, mas reconhecem que a qualidade limitada da captação dificulta análises definitivas. O AARO informou que continuará avaliando dados de radar e telemetria correspondentes ao horário do contato para refinar as conclusões.
Responsáveis pelo Pursue afirmam que a divulgação periódica de materiais sobre UAPs busca padronizar procedimentos de coleta, reduzir a circulação de boatos e incentivar relatos formais de tripulações civis e militares. O órgão pretende apresentar, ainda neste semestre, um balanço preliminar que consolide estatísticas de observações recebidas em 2024 e 2025.
Enquanto isso, pesquisadores de universidades norte-americanas e europeias avaliam a utilidade dos vídeos para o desenvolvimento de algoritmos capazes de diferenciar fenômenos naturais de possíveis artefatos tecnológicos. A expectativa é que a cooperação entre o setor de defesa e a comunidade científica ofereça mais clareza sobre eventos que permanecem sem explicação concreta.
Embora o interesse por objetos voadores não identificados costume despertar especulações sobre tecnologia extraterrestre, representantes ligados ao programa ressaltam que, até o momento, não há evidências que sustentem essa interpretação. A divulgação do novo lote, observam, reforça a postura de registrar e investigar todo incidente de forma objetiva, independentemente de conjecturas.
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