Forças iranianas lançaram um ataque com drones contra a passagem de Abdali, no norte do Kuwait, nesta quinta-feira, 23/07, segundo o Ministério da Defesa kuwaitiano. A área faz fronteira com o Iraque e abriga um dos principais pontos de fiscalização terrestre do país. As autoridades informaram que a investida ocorreu em meio à intensificação de operações do Irã contra nações do Golfo que mantêm cooperação militar com os Estados Unidos.
De acordo com comunicado oficial, a ação não deixou mortos nem feridos, mas provocou danos materiais em instalações da alfândega e em equipamentos de vigilância. O texto também reiterou que as Forças Armadas locais seguem mobilizadas para evitar novas incursões.
“Resultou em danos materiais”, relatou o porta-voz do ministério, major-general Saud Abdulaziz.
O comunicado acrescentou a “prontidão contínua e a preparação constante” das tropas kuwaitianas para proteger as fronteiras do país.
O episódio acontece poucos dias depois de Washington ter ampliado sua ofensiva aérea contra alvos iranianos, medida adotada como resposta a ataques de Teerã a embarcações no Estreito de Ormuz. Desde então, Bahrein, Kuwait e Jordânia — que hospedam bases militares norte-americanas — relatam ataques quase diários atribuídos a drones e mísseis disparados pelo Irã.
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No caso do Kuwait, os locais mais visados incluem a Base Aérea Ali Al Salem e Camp Arifjan, pontos estratégicos para a logística dos EUA na região. No Bahrein, onde opera a Quinta Frota da Marinha norte-americana, as agressões também atingiram sistemas de navegação da aviação civil, segundo autoridades locais.
Analistas de defesa observam que Teerã parece seguir uma estratégia de pressão gradativa sobre países considerados menores, mas fundamentais ao aparato militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. O objetivo, avaliam, seria demonstrar capacidade de retaliação sem desencadear confronto direto e de grande escala.
Além das justificativas explicitadas pelo governo iraniano, envolvendo a presença militar norte-americana, fontes da região destacam fatores políticos internos. No Bahrein, por exemplo, setores majoritariamente xiitas alegam discriminação por parte do governo sunita; no Kuwait, promotores públicos investigam cidadãos suspeitos de simpatizar com a República Islâmica. Esses contextos domésticos podem estar sendo explorados pelo Irã para ampliar sua influência geopolítica.
Paralelamente, permanece a incerteza sobre possíveis ataques contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita ou Israel. Especialistas apontam que Teerã mantém tais cenários em aberto como forma de calibrar a escalada, avaliando custos e benefícios de cada movimento. Até o momento, contudo, a ofensiva concentra-se no eixo Kuwait-Bahrein-Jordânia.
As chancelarias dos países atingidos reforçaram apelos à comunidade internacional para que pressione o Irã a cessar as hostilidades. Washington, por sua vez, não detalhou futuras ações, mas reiterou que responderá “de maneira proporcionada” a ataques contra suas forças e aliados na região.
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