Custos de frete sustentam alta moderada do minério de ferro na China

Robson Alves
3 Min Leitura

O mercado de minério de ferro registrou leve reação HOJE, com os contratos futuros negociados na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) encerrando o pregão diurno em alta de 0,74%, a 747,5 iuanes (US$ 110,43) por tonelada. Foi o primeiro avanço em três sessões, movimento que devolveu parte das perdas acumuladas desde o início da semana.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato de referência para agosto também subiu. A variação positiva de 1,1% levou a cotação a US$ 98,15 por tonelada, sinalizando que o impulso provocado pelos custos logísticos não se restringiu ao mercado chinês.

Segundo operadores, o principal fator de sustentação foi o encarecimento do transporte marítimo. Pressões sobre energia, diesel e frete continuam elevadas em meio às tensões no Oriente Médio e aos incidentes no Mar Vermelho envolvendo petroleiros. Esse ambiente geopolítico dificulta o fluxo normal de navios e reforça prêmios de risco embutidos nos contratos de frete.

Publicidade

Esses custos adicionais de transporte se refletem diretamente no preço de desembarque do minério na China, já que a maior parte do produto é negociada no modelo C&F (custo e frete)

aferiu David Cachot, diretor de pesquisa da consultoria Wood Mackenzie. Ele acrescentou que a exposição dos embarques ao Estreito de Ormuz, rota vital para combustíveis, aumenta a cautela dos armadores, que repassam o risco aos fletes.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

Analistas da corretora chinesa Huatai Futures avaliam que o “prêmio geopolítico” vem perdendo força nas últimas semanas, mas ainda serve de piso para as cotações. Para eles, a normalização das rotas marítimas pode pressionar novamente o minério, caso a demanda das siderúrgicas não reaja.

Do lado industrial, o cenário permanece desafiador. Grandes usinas de Hebei e Shandong reduziram em 50 a 55 iuanes por tonelada o preço de compra do carvão coque na última terça-feira (21). É a primeira redução em meses, indicando margens fragilizadas. Dados da consultoria Mysteel mostram que as perdas médias das usinas de Tangshan já superam 100 iuanes por tonelada nesta semana.

O petróleo, que influencia o custo do diesel marítimo, avançou pelo quinto pregão consecutivo, reforçando a pressão sobre o frete. As cotações reagem a ataques a embarcações no Mar Vermelho e a choques diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, que chegaram a ameaçar o fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto do tráfego global de petróleo.

Mesmo com a alta observada HOJE, agentes de mercado continuam cautelosos. A curva futura ainda revela volatilidade, refletindo incertezas sobre consumo de aço na China, continuidade de estímulos ao setor imobiliário e evolução do conflito no Oriente Médio. Em meio a esses fatores, o custo de frete segue como variável-chave no curto prazo.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias