Governo soma R$ 149 bi em despesas financeiras no 1º semestre

Robson Alves
4 Min Leitura

Estudo da BRCG estima gastos equivalentes a 1,09% do PIB entre janeiro e junho. A cifra se aproxima dos R$ 161 bilhões contabilizados durante todo o ano de 2025.

Levantamento realizado pelos economistas Matheus Rosa e Lívio Ribeiro, da consultoria BRCG, indica que as despesas financeiras do governo federal totalizaram R$ 149 bilhões no primeiro semestre deste ano, montante correspondente a 1,09% do Produto Interno Bruto (PIB). O cálculo foi encomendado por veículo da grande imprensa e mostra que o valor já se aproxima dos R$ 161 bilhões registrados em todo o ano passado.

De acordo com o estudo, entram nessa rubrica operações como aportes em fundos garantidores, repasses para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e injeções de recursos em programas de crédito de bancos públicos. Esses dispêndios não fazem parte do gasto primário — que abrange salários, aposentadorias, custeio da máquina e investimentos — mas influenciam a dívida líquida e, potencialmente, a trajetória da inflação.

Publicidade

Os autores observam que, entre 2020 e 2023, sucessivas exceções às regras fiscais abriram espaço para a ampliação desses gastos.

“Quando se observa os Orçamentos de 2020 a 2023, houve importantes exceções às regras fiscais que permitiram aumento de despesas”, afirmou Matheus Rosa. “Em 2024, no primeiro ano do novo arcabouço fiscal, observamos que as políticas de crédito facilitado do governo começaram a crescer, com destaque principalmente para esses dois últimos anos.”

O Ministério da Fazenda, procurado para comentar os números, declarou que não analisa estudos de terceiros. Em nota, a pasta destacou que o montante divulgado não deve ser interpretado, automaticamente, como estímulo fiscal.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

“O valor agregado, por si só, não permite concluir que tenha havido um impulso fiscal de R$ 149 bilhões, tampouco quantificar seu impacto sobre a atividade econômica ou a inflação”, registrou o comunicado.

O texto acrescenta que as despesas financeiras são identificadas no Orçamento e avaliadas bimestralmente para assegurar o cumprimento das metas previstas no novo arcabouço.

A secretaria ressaltou ainda que o déficit primário segue trajetória de queda projetada em mais de 70% entre 2023 e 2025. Mesmo assim, analistas consultados pela reportagem observam que a expansão das operações de crédito e dos aportes em fundos pode pressionar a dívida pública num cenário de juros elevados.

Dados divulgados pelo Banco Central no fim de julho mostram que a dívida bruta do setor público brasileiro alcançou R$ 10,8 trilhões em junho, o equivalente a 81,9% do PIB. O indicador subiu 10,2 pontos percentuais desde dezembro de 2022 e se aproxima do recorde histórico, de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020.

Especialistas avaliam que, embora o novo arcabouço fiscal estabeleça limites mais claros para o gasto primário, as despesas financeiras ganham relevância porque escapam das travas impostas pelo teto de crescimento real de 2,5% ao ano. Segundo eles, a continuidade dessa tendência pode exigir revisão dos programas de crédito, sob pena de comprometer o objetivo de estabilizar a trajetória da dívida.

Para o mercado, a combinação de despesas financeiras crescentes e endividamento elevado reforça o debate sobre a necessidade de ajustes adicionais nas contas públicas. Economistas consultados afirmam que o ritmo de concessões e garantias em 2026 deverá ser observado de perto, especialmente se o cenário de juros permanecer apertado e o crescimento do PIB desacelerar.

Enquanto isso, agentes de mercado aguardam a próxima divulgação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que mostrará se haverá contingenciamento ou revisão das metas fiscais ainda neste ano.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias