Banco Central mantém R$ 5,12 bilhões parados à espera de resgate

Robson Alves
3 Min Leitura

Milhões de brasileiros ainda podem recuperar dinheiro em bancos, consórcios e corretoras. A consulta e o pedido de devolução são feitos pelo Sistema Valores a Receber.

O Banco Central (BC) informa que R$ 5,12 bilhões permanecem esquecidos em bancos, consórcios, corretoras e outras instituições financeiras. Os números constam de relatório divulgado nesta terça-feira, 11, e se referem ao Sistema Valores a Receber (SVR), plataforma que concentra saldos residuais de contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios e cotas de cooperativas de crédito, entre outras fontes.

Do montante total, R$ 3,76 bilhões pertencem a 22,66 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,35 bilhão estão vinculados a aproximadamente 2 milhões de empresas. Desde o início do programa, o BC e as instituições participantes já devolveram R$ 15,81 bilhões dos R$ 20,93 bilhões identificados.

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Os dados revelam que a maior parte dos contemplados dispõe de quantias modestas para resgatar. Cerca de 18,5 milhões de pessoas – o equivalente a 70% do total – têm até R$ 10 disponíveis. Já 4,96 milhões de usuários (18,73%) podem retirar valores entre R$ 10,01 e R$ 100. Aproximadamente 3 milhões de cidadãos contam com cifras superiores a R$ 100.

O ritmo de resgates variou nos últimos meses. Em junho, foram devolvidos R$ 340 milhões, cifra inferior aos R$ 427 milhões registrados em maio e aos R$ 483 milhões de abril. A oscilação, segundo analistas do mercado financeiro, está associada ao grau de divulgação do programa e à percepção de urgência dos beneficiários.

A verificação de possíveis saldos é realizada no endereço eletrônico do SVR. Na primeira etapa, basta informar CPF e data de nascimento ou, no caso de empresas, CNPJ e data de abertura. Quando o sistema aponta a existência de recursos, o interessado deve acessar a plataforma com conta Gov.br nos níveis prata ou ouro e habilitar a verificação em duas etapas. A solicitação do crédito pode ser feita diretamente à instituição responsável ou via opção de resgate automático, quando a funcionalidade estiver disponível.

Os valores podem estar associados a:

• contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo residual;
• tarifas ou parcelas de crédito cobradas indevidamente;
• cotas de capital em cooperativas de crédito;
• recursos de consórcios já finalizados;
• contas de pagamento ou carteiras digitais desativadas.

O BC recomenda que os usuários mantenham dados cadastrais atualizados no Gov.br e verifiquem periodicamente a plataforma, pois novos valores podem ser incluídos à medida que instituições concluem conciliações internas.

O serviço é gratuito. Caso alguém cobre taxa ou solicite dados bancários confidenciais para “antecipar” créditos, a orientação é recusar a oferta e registrar denúncia nos canais oficiais do Banco Central.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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