Pressão dos EUA faz Ucrânia poupar petroleiros no Mar Negro

Robson Alves
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Kiev suspendeu ataques com drones a navios ligados ao porto russo de Novorossiysk, segundo o Financial Times. O recuo ocorreu após alerta de JD Vance sobre riscos ao petróleo e a empresas americanas.

Autoridades ucranianas informaram ao Financial Times que Kiev suspendeu o uso de drones contra petroleiros que operam no porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro. De acordo com o veículo, o pedido partiu no mês passado do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que manifestou preocupação com possíveis impactos nos mercados de petróleo e em companhias americanas.

Segundo essas fontes, a Ucrânia concordou em não atacar instalações do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC) — responsável por escoar petróleo cazaque até Novorossiysk — nem embarcações estrangeiras que não estejam sob sanções de Kiev e que não transportem carga russa. O CPC é rota vital para o Cazaquistão, e interrupções recentes teriam reduzido em até 20% o carregamento de petróleo do consórcio durante julho, conforme quatro pessoas com acesso aos dados de exportação. No mesmo período, a produção cazaque caiu 14% em relação a junho. Grandes petrolíferas ocidentais, entre elas Chevron e Exxon Mobil, operam no país.

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Uma autoridade americana confirmou ao jornal que Washington advertiu Kiev para que interrompesse ataques a navios não russos. Apesar da pausa temporária, novas ofensivas foram registradas nesta quarta-feira (12). O prefeito da cidade portuária russa de Novorossiysk, Andrei Kravchenko, relatou que um ataque de drones matou uma criança, feriu outras oito pessoas e danificou quatro empresas e mais de vinte imóveis residenciais. Em comunicado separado, o governador de Krasnodar, Veniamin Kondratyev, afirmou que outra pessoa morreu em incidentes correlatos na região.

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Na Crimeia, o governador de Sebastopol, Mikhail Razvozhayev, declarou que mais de trinta drones foram abatidos, havendo apenas danos materiais em algumas casas. No lado ucraniano, o governador regional Ivan Fedorov relatou que um ataque russo provocou incêndio em um shopping de Zaporizhzhia e deixou cerca de 1,2 mil consumidores sem energia. Já em Odesa, o chefe da administração militar local, Serhiy Lysak, disse que instalações de infraestrutura foram atingidas.

Kiev vem intensificando incursões contra infraestrutura energética russa para, segundo seus estrategistas, limitar a capacidade de Moscou de financiar operações militares. Em resposta, Moscou ampliou alvos ligados a alimentos, agricultura e armazenamento em território ucraniano.

O presidente Volodymyr Zelensky informou na terça-feira (11) que entregou a negociadores americanos propostas para um plano que possa encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022.

Enquanto as tratativas diplomáticas avançam nos bastidores, os dois lados continuam recorrendo a ataques de drones e mísseis que atingem centros logísticos, portos e áreas residenciais, mantendo elevada a tensão no Mar Negro e em seus arredores.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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