Baianos pagaram R$ 93 milhões após venda da Ebal por R$ 15 milhões

Rafael Ramos
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Dados da Transparência Bahia mostram que o Estado assumiu passivos da antiga estatal entre 2018 e 2025. O custo das obrigações remanescentes superou em mais de seis vezes a receita do leilão.

A privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), concluída em 2018, continua gerando repercussões sobre o custo real da operação para os cofres públicos. Levantamento com base em dados do portal Transparência Bahia indica que, após vender a estatal por R$ 15 milhões, o governo estadual desembolsou R$ 93 milhões, entre 2018 e 2025, para honrar dívidas e compromissos remanescentes da companhia. O gasto representa cerca de 6,2 vezes o valor arrecadado com a venda.

A alienação ocorreu no terceiro leilão realizado pelo Executivo baiano à época comandado por Rui Costa (PT). Tentativas anteriores, em 2016 e março de 2018, fracassaram mesmo com preço mínimo de R$ 81 milhões. Na terceira rodada, o valor foi reduzido e o pacote passou a incluir o Credcesta, programa de crédito consignado voltado originalmente a servidores estaduais, o que se tornou o principal atrativo do certame.

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O novo controlador recebeu exclusividade de 15 anos para operar o Credcesta e autorização para comprometer até 30% do salário líquido dos servidores com as parcelas. Posteriormente, o produto deixou de ser apenas um cartão para compras e passou a oferecer empréstimos em dinheiro, com juros que chegaram a aproximadamente 5% ao mês. No mesmo período, a taxa média do consignado para servidores públicos variava de 1,37% a 1,59% ao mês.

Depois da privatização, o portfólio do Credcesta foi transferido ao então Banco Máxima, que mudou a denominação para Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro. Em 2024, informações da Receita Federal mostram que a instituição obteve R$ 1,6 bilhão com a revenda de carteiras de crédito vinculadas ao Credcesta, além de receita de R$ 709 milhões com juros de empréstimos originais.

A relação entre o Credcesta, o Banco Master e agentes políticos da Bahia passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF). Na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho, a corporação apurou suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a manutenção do contrato.

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Decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, cita que investigadores identificaram uma transferência de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One, ligada ao núcleo de Augusto Lima, para a BN Financeira, apontada como vinculada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Planilhas apreendidas, ainda segundo a PF, registrariam pagamentos que somam mais de R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, relacionada a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner.

Jaques Wagner negou ter recebido propina relacionada ao Banco Master e admitiu ter pedido a Augusto Lima que adquirisse um apartamento de luxo por R$ 2,5 milhões em Salvador para posterior recompra.

Até o momento, não há denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal nem decisão judicial que estabeleça culpa. A investigação segue em curso.

Especialistas em finanças públicas apontam que a diferença entre o valor arrecadado na venda da Ebal e o montante gasto pelo Estado para quitar dívidas reforça a necessidade de avaliações detalhadas antes de privatizações, sobretudo quando ativos financeiros — como carteiras de crédito — fazem parte do negócio.

Procurada, a Secretaria da Fazenda da Bahia argumenta que a alienação da Ebal visou encerrar prejuízos recorrentes e que os custos posteriores estavam previstos, pois se referiam a passivos trabalhistas e tributários anteriores à privatização.

O processo ainda suscita questionamentos sobre a modelagem do leilão e a inclusão do Credcesta como bônus à venda, ponto considerado decisivo para o interesse dos compradores. O Tribunal de Contas do Estado acompanha os desdobramentos mas, até o fechamento desta edição, não havia divulgado análise conclusiva.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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