A direção nacional anulou a decisão do diretório mineiro, que havia aprovado aliança com Alexandre Kalil. Com a intervenção, a federação reafirma apoio ao petista Patrus Ananias.
Nesta terça-feira (11), a Executiva Nacional da Federação Rede-Psol anulou a deliberação que havia chancelado a adesão da sigla à candidatura de Alexandre Kalil (PDT) e restabeleceu o apoio ao petista Patrus Ananias na corrida pelo Palácio da Liberdade. A votação ocorreu poucas horas depois de a instância estadual ter se posicionado em sentido oposto, gerando um impasse interno que envolveu as duas legendas que compõem a federação.
Até então, a maioria conquistada pela Rede no diretório mineiro garantira, por quatro votos a três, a formalização da coligação com Kalil. A reação negativa de parte da militância do Psol, entretanto, se intensificou quando o ex-prefeito de Belo Horizonte rejeitou abertamente o apoio psolista, embora tenha declarado aceitar a parceria com a Rede.
“Essa decisão é coerente com a nossa história, nosso compromisso com o Brasil e com o estado, e com o desejo de nossas figuras públicas e militância. Estaremos ao lado de Lula, Patrus, Áurea e Marília, e faremos uma campanha apaixonada nas redes e nas ruas”, registrou a nota divulgada por Iza Lourença, que preside o Psol em Minas Gerais. O comunicado acrescenta que a Rede manterá liberdade para eventuais divergências locais.
A recusa de Kalil foi verbalizada em declaração pública:
“Quero a Rede em minha campanha. Já o PSOL não é bem-vindo.”
O posicionamento expôs fissuras sobre a composição da chapa, que traz o ex-deputado Carlos Mosconi (PSDB) como candidato a vice, ponto criticado por dirigentes psolistas.
Diante da tensão, interlocutores do PT tentaram costurar um entendimento capaz de preservar a aliança com o pedetista. Segundo relatos de participantes das conversas, essa articulação buscava evitar dispersão de forças no campo progressista depois de o senador Rodrigo Pacheco (PSB) sinalizar que não concorreria ao Executivo estadual. A iniciativa, porém, não avançou antes da reunião extraordinária da Executiva Nacional da federação.
Com a reversão, Patrus Ananias volta a contar com o tempo de rádio, televisão e os recursos eleitorais da Federação Rede-Psol. O petista, ex-ministro do Desenvolvimento Social, concentra sua estratégia em programas sociais e no diálogo com movimentos populares. Já Kalil, que liderou Belo Horizonte entre 2017 e 2022, mantém a coligação formada por PDT, PSD e PSDB, apostando na exposição de sua gestão municipal e no apoio de lideranças empresariais.
A Executiva Nacional avaliou que a coexistência de dirigentes defendendo projetos distintos comprometeria a credibilidade da federação. Com o conflito resolvido, dirigentes das duas siglas preparam agendas separadas: o Psol deverá percorrer municípios ao lado de Patrus, enquanto a Rede pode, em algumas localidades, manter interlocução com Kalil, amparada pela permissão de dissidência local aprovada na mesma sessão deliberativa.
Embora o movimento represente revés político imediato para o pedetista, aliados de Kalil avaliam que o episódio poderá ser usado para reforçar um discurso de independência em relação a partidos situados mais à esquerda. No campo petista, a leitura é de que a volta do Psol amplia a base de apoio de Patrus e potencializa a presença nas redes sociais, espaço em que a militância psolista detém forte atuação.
Com a campanha oficialmente retomada em torno de Patrus Ananias, a Federação Rede-Psol planeja, nos próximos dias, divulgar um calendário conjunto de mobilizações voltadas a apresentar propostas para educação, saúde e desenvolvimento regional. A disputa pelo governo mineiro segue aberta, à espera do início oficial da propaganda eleitoral.
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