Estudo alerta: TV em excesso na meia-idade pode afetar o cérebro

Cláudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Pesquisa com mais de 1.700 americanos encontrou associação entre assistir muita televisão e menor volume cerebral décadas depois. O hábito sedentário pode cobrar um preço na velhice.

Um estudo de longa duração financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos analisou a relação entre hábitos de lazer sedentário e saúde cerebral. De acordo com os autores, mais de 1.700 voluntários, com idades entre 45 e 64 anos no início da pesquisa e média de 53 anos, informaram a frequência com que assistiam à televisão e quanto tempo permaneciam sentados no trabalho durante o ano anterior ao primeiro questionário.

As respostas sobre consumo de TV foram divididas em cinco categorias, que iam de “nunca” a “muito frequentemente”. Após pouco mais de duas décadas, os participantes foram submetidos a exames de ressonância magnética. Os resultados indicaram que aqueles que relataram assistir TV “muito frequentemente” registraram volumes menores em regiões cerebrais relacionadas à linguagem, ao controle cognitivo e áreas vulneráveis nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Essas mesmas pessoas apresentaram maior número de hiperintensidades de substância branca — lesões em pequenos vasos sanguíneos associadas a declínio cognitivo e demência.

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Em contraste, o tempo sentado no trabalho, outra forma de comportamento sedentário, não mostrou correlação com as alterações estruturais observadas. Para a Dra. Leana Wen, médica de emergência e professora associada clínica da Universidade George Washington, a diferença sugere que “nem todas as atividades sedentárias são iguais”. Segundo ela, ficar diante da TV é cognitivamente passivo, enquanto tarefas profissionais costumam exigir processamento ativo de informações, interação e resolução de problemas.

“O estudo não prova que a televisão cause danos ao cérebro, mas reforça a ideia de que longos períodos de comportamento passivo podem não ser ideais a longo prazo”, afirmou Wen.

Os autores ajustaram variáveis como idade, escolaridade, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, diabetes, hipertensão e índice de massa corporal. Ainda assim, a associação entre assistir televisão com frequência e menor volume cerebral persistiu. Isso não descarta, porém, a possibilidade de que fatores não mensurados expliquem parte dos achados ou que alterações cerebrais pré-existentes tenham influenciado preferências de lazer.

A pesquisa é observacional; portanto, estabelece correlação, não causalidade. A equipe reconhece limitações, entre elas o uso de autorrelato para estimar tempo de tela e a ausência de medidas diretas de estímulo cognitivo fora do trabalho. Mesmo assim, o estudo acrescenta evidências às diretrizes de promoção de saúde que recomendam reduzir comportamentos sedentários passivos e manter rotina de exercícios físicos e atividades mentalmente estimulantes.

Para pessoas preocupadas com o impacto desses hábitos, especialistas sugerem pausas regulares durante sessões de entretenimento, prática de exercícios moderados diários e inclusão de tarefas que exijam raciocínio ativo, como leitura, jogos de estratégia ou aprendizado de novas habilidades. Embora não existam recomendações oficiais específicas de “tempo máximo” de televisão para adultos, manter um equilíbrio entre descanso, interação social, atividade física e engajamento intelectual segue como a estratégia mais indicada para preservação da função cerebral ao longo da vida.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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