Terremoto na Colômbia deixa 111 mortos e expõe risco regional

Robson Alves
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Abalo de magnitude 7,4 teve epicentro a 100 km de profundidade e atingiu ampla área. Geólogos dizem que o fenômeno difere dos terremotos registrados na Venezuela.

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), deixando 111 mortos e 87 feridos, de acordo com o presidente Abelardo de la Espriella. O epicentro foi registrado a cerca de 100 quilômetros de profundidade, característica que, segundo pesquisadores, reduz a intensidade sentida na superfície, mas amplia a área afetada.

O geólogo Gustavo Ortiz observou que os abalos na Colômbia e na Venezuela, embora ocorram na mesma placa tectônica, apresentam contextos distintos.

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“A única coisa que esses dois eventos catastróficos têm em comum é que ocorrem na placa sul-americana, mas o contexto geológico e geotectônico é totalmente diferente”,

afirmou.

Ortiz explicou que na costa oeste da América do Sul predomina o processo de subducção.

“Na América do Sul ocidental, ocorre o processo de subducção, que é quando uma placa, neste caso a placa de Nazca localizada no Pacífico, afunda sob a placa sul-americana”,

detalhou o especialista. Esse movimento vertical costuma gerar abalos profundos, como o registrado em solo colombiano, e pode desencadear tsunamis em áreas costeiras.

Em contraste, o desastre venezuelano ocorrido pouco mais de um mês antes envolveu o atrito lateral entre as placas sul-americana e caribenha, sem subducção.

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“Já no caso daquele terremoto fatídico na Venezuela, as placas se moveram lateralmente uma contra a outra, e não houve subducção”,

acrescentou Ortiz. O tremor venezuelano ocorreu a menos de 20 quilômetros da superfície, fator que potencializou o grau de destruição e resultou em mais de seis mil mortes.

Relatório preliminar do governo colombiano indica danos em 1.575 moradias, sendo 37 totalmente destruídas e 61 edifícios colapsados. Infraestruturas essenciais também sofreram impacto: 18 centros de saúde, 52 escolas, 17 centros comunitários e 18 vias públicas apresentam avarias. Seis aeroportos permanecem sem operação comercial devido a problemas estruturais, enquanto um teve a pista de pouso comprometida.

De la Espriella informou que boletins serão divulgados a cada três horas para atualizar o número de vítimas e o andamento das buscas. O governo central solicitou às autoridades regionais que unifiquem a comunicação de dados.

“O Governo Nacional empregará todas as suas capacidades para defender a vida, atender às necessidades”,

declarou o presidente, enfatizando a coordenação com forças armadas, corpo de bombeiros e equipes de resgate voluntário.

A comunidade internacional manifestou disposição para prestar auxílio. Segundo a Presidência, governos e organismos multilaterais ofereceram envio de equipes especializadas, hospitais de campanha e equipamentos de detecção de sobreviventes sob escombros.

Especialistas alertam para a possibilidade de réplicas nas próximas horas. Para reduzir riscos, Defesa Civil recomendou que moradores evitem permanecer em construções que apresentem fissuras visíveis, desliguem redes de gás caso percebam odor forte e mantenham kits de primeiros-socorros acessíveis.

Embora a Colômbia possua protocolos de evacuação e códigos de edificação atualizados após abalos anteriores, engenheiros apontam desafios na fiscalização de obras em áreas rurais. O Observatório Sismológico local mantém monitoramento contínuo e disponibilizou linha telefônica para relatos de danos.

Em 10 de agosto de 2026, a prioridade do governo continua sendo a busca de possíveis sobreviventes e a assistência aos desabrigados. Órgãos de saúde montaram postos de atendimento emergencial nas proximidades das zonas mais afetadas. Analistas afirmam que os próximos dias serão decisivos para medir o impacto socioeconômico do desastre e planejar a reconstrução.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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