Tarifa da Itaipu deve cair em 2027, diz diretor-geral

Robson Alves
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Tarifa da Itaipu – A tarifa de energia produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu deve ser reduzida para algo entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês a partir de 2027, informou o diretor-geral brasileiro da binacional, Enio Verri, em entrevista na sede da empresa, em Foz do Iguaçu (PR), nesta segunda-feira (13 de abril).

Segundo Verri, a meta é anunciar o novo valor até dezembro deste ano. Ele garante que, já em 2027, “seremos a menor tarifa do país”.

“A ideia é que, no máximo em dezembro desse ano, a gente possa anunciar a tarifa para o ano que vem ou para os próximos anos (…). Mas uma coisa é certa, a partir do ano que vem seremos a menor tarifa do país”, afirmou.

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Em 2024, Brasil e Paraguai assinaram ata determinando que o preço leve em conta apenas os custos operacionais da usina. Esse critério sustenta a faixa de US$ 10 a US$ 12 kW/mês mencionada pelo diretor.

Atualmente, o Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) para 2024-2026 é de US$ 19,28 kW/mês, mas a energia vendida no mercado brasileiro sai a US$ 17,66 kW/mês graças a um aporte extra de US$ 285 milhões feito pela própria Itaipu para manter a modicidade tarifária.

O modelo em vigor é temporário e expira em dezembro, quando os dois sócios devem definir a nova estrutura de preços. No Brasil, a comercialização é feita pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) às distribuidoras cotistas.

Revisão do Anexo C

Firmado em 1973, o Tratado de Itaipu prevê que, 50 anos depois, o Anexo C — que trata das bases financeiras e da precificação — seja revisto. A energia gerada é dividida em partes iguais, mas o Paraguai não usa toda a sua cota e busca elevar o preço de venda. O Brasil, por sua vez, quer reduzir o custo para o consumidor. A usina fornece cerca de 8% da eletricidade consumida pelos brasileiros.

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“Para nós, política pública é energia barata, porque quanto mais barata for essa energia, mais inclusão social. (…) Agora, o Paraguai espera esse preço alto para financiar o seu desenvolvimento”, declarou Verri.

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Entre as possibilidades em discussão está a venda direta da cota paraguaia no mercado livre brasileiro. Qualquer decisão precisa de consenso dos seis diretores de cada país e, depois, da chancela dos Parlamentos de Brasil e Paraguai.

Poder de geração

Itaipu possui 20 unidades geradoras de 700 MW cada, totalizando 14 GW instalados. É a terceira maior hidrelétrica do mundo em capacidade e costuma liderar a produção anual, respondendo por 78% da demanda paraguaia e 8% da brasileira.

Atualização tecnológica

Desde maio de 2022, a usina passa por um programa de modernização que deve durar 14 anos e consumir cerca de US$ 900 milhões. O projeto troca equipamentos eletrônicos ainda analógicos dos anos 1980, renova o centro de controle, reforma uma subestação e constrói novos almoxarifados. Turbinas e a barragem, com quase 200 anos de vida útil estimada, ficam fora do escopo, mas recebem manutenção rigorosa.

A binacional avalia ainda instalar duas turbinas adicionais ou aumentar a produtividade das existentes. Um edital para estudo internacional sobre o tema está em preparação.

“Quando elas foram feitas, 20 anos atrás, a ciência estava em um grau. Hoje, a ciência é outra. Então, você pode aumentar a produção ou a produtividade”, explicou o diretor.

*A reportagem viajou a convite da Itaipu Binacional.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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