Milei compartilhou publicação do republicano Carlos Gimenez que chamou Lula de “porco”. O gesto ocorre após nova série de críticas e amplia o desgaste entre Brasília e Buenos Aires.
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a recorrer às redes sociais para repercutir críticas dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, Milei republicou uma mensagem publicada pelo deputado norte-americano Carlos Gimenez, do Partido Republicano, na qual o parlamentar chamou o chefe do Executivo brasileiro de “porco”. Antes disso, o mandatário argentino já havia compartilhado outro conteúdo que qualificava Lula como “corrupto e criminoso” e o associava “a todas as ditaduras comunistas do hemisfério”.
Os ataques vêm na esteira da participação de Milei na convenção nacional do PL, realizada recentemente em Brasília. Na ocasião, Milei se referiu a Lula como “presidiário” diante da plateia do partido que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, segundo diálogos de integrantes do Itamaraty, a relação entre os dois governos passa por uma escalada de tensão que incluiu novas declarações do líder argentino, que voltou a chamar o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto” durante entrevistas concedidas a veículos de comunicação de seu país.
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Além dos ataques a Lula, Milei usou o mesmo evento partidário para dirigir ofensas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, chamando-o de “lixo careca”. O governo brasileiro reagiu rebaixando o nível das relações diplomáticas com Buenos Aires para a categoria de encarregados de negócios. A medida mantém o funcionamento das embaixadas, mas sinaliza descontentamento oficial com a conduta pública adotada pelo chefe de Estado vizinho.
No último sábado, 08/08, Carlos Gimenez voltou ao tema e publicou em sua conta oficial uma montagem que insere o rosto de Lula em uma foto do presidente venezuelano Nicolás Maduro, divulgada após a captura deste no início do ano. O texto que acompanha a imagem afirma: “o que o espera… Brasil”. Esse conteúdo foi replicado pelo jornalista Paulo Figueiredo e pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro antes de ganhar visibilidade pelo compartilhamento de Milei.
De acordo com assessores palacianos ouvidos reservadamente, aliados sugeriram que Lula ignore as provocações, avaliando que responder diretamente poderia ampliar o alcance do discurso de Milei junto ao eleitorado conservador argentino e favorecer a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Até o momento, a Presidência brasileira não anunciou reação oficial às publicações. Interlocutores indicam que a estratégia segue sendo a de reduzir espaços para confrontos públicos, enquanto o Ministério das Relações Exteriores monitora o impacto das declarações na cooperação bilateral e na agenda do Mercosul.
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