Colômbia abre inquérito contra Uribe por ligação com paramilitares

Robson Alves
4 Min Leitura

A Procuradoria colombiana mira o ex-presidente Álvaro Uribe por crimes graves, incluindo dois massacres nos anos 1990. O conservador que combateu guerrilhas de esquerda agora enfrenta sua maior batalha judicial.

O gabinete do Procurador-Geral da Colômbia abriu, nesta quinta-feira (18/06), uma investigação criminal contra o ex-presidente Álvaro Uribe, 73 anos, por possíveis crimes relacionados à criação de um grupo paramilitar, dois massacres ocorridos na década de 1990 e o homicídio de um defensor dos direitos humanos.

Uribe governou o país por dois mandatos consecutivos, de 2002 a 2010, período marcado por uma política de segurança que enfrentou duramente as guerrilhas de esquerda. A nova apuração se soma a processos anteriores que já colocaram o ex-chefe de Estado no centro de controvérsias judiciais.

Publicidade

No ano passado, Uribe foi condenado por fraude processual e suborno, acusação vinculada à suposta obstrução de Justiça em outro caso que buscava provar laços dele com grupos paramilitares. A pena poderia ter resultado em até 12 anos de prisão domiciliar, mas a decisão foi anulada em grau de apelação e aguarda reavaliação na Suprema Corte.

A investigação anunciada na quinta-feira envolve depoimentos sobre a possível criação do bloco paramilitar Bloque Metro, ativo no departamento de Antioquia. Segundo autoridades, o novo inquérito também examina responsabilidade em massacres registrados em San Roque e Ituango, além do assassinato do advogado de direitos humanos Jesús María Valle, em 1998.

Uma fonte da Procuradoria disse que Uribe já foi intimado a prestar depoimento, embora a data ainda não esteja definida. O ex-presidente utilizou suas redes sociais para criticar o procedimento, afirmando que se trata de perseguição política.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

“Este é um claro caso de pressão política e injustiça”,

escreveu, acrescentando que vê ligações entre o senador Iván Cepeda e o procurador responsável pelo caso.

Cepeda, parlamentar de esquerda e candidato à Vice-Presidência na chapa que concorre no segundo turno das eleições de domingo (21/06), é reconhecido oficialmente como vítima no processo de obstrução de Justiça que levou à condenação anulada de Uribe.

Os grupos paramilitares, financiados historicamente por pecuaristas, latifundiários e comerciantes para enfrentar guerrilhas, são apontados por uma comissão da verdade como responsáveis por quase metade das mais de 450 mil mortes registradas no conflito interno colombiano entre 1985 e 2018. Em decisão recente, o irmão de Uribe foi condenado a 25 anos de prisão por atos ligados a essas organizações, fato que amplia o escrutínio sobre a família.

O cenário político colombiano segue polarizado às vésperas do segundo turno presidencial. O advogado de direita Abelardo De La Espriella, aliado de Uribe, enfrenta Cepeda, que defende diálogo com grupos rebeldes. A segurança pública e a responsabilização por crimes de guerra dominam o debate, enquanto a Procuradoria insiste que suas decisões são técnicas e independentes.

Até o momento, a defesa de Uribe informa que colaborará com a Justiça, mas reforça que apresentará provas para contestar as acusações. Observadores avaliam que o desenrolar do caso pode influenciar o clima eleitoral e a percepção do eleitorado sobre o compromisso das instituições com o combate à impunidade.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias