Incêndio em ferry na Indonésia mata um e mobiliza resgate de 172

Robson Alves
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A embarcação fazia a rota entre Bali e Lombok quando as chamas começaram na madrugada desta quarta-feira. Equipes de emergência seguem procurando possíveis desaparecidos.

Um incêndio atingiu a balsa KM Putri Yasmin no estreito de Lombok, Indonésia, às 4h39 desta quarta-feira (12, horário local). A embarcação havia partido do porto de Padangbai, em Bali, com destino a Lembar, em Lombok, transportando passageiros e veículos entre duas das rotas marítimas mais movimentadas do arquipélago.

De acordo com informações divulgadas ao longo do dia, 172 pessoas foram retiradas com vida e levadas a portos em Bali e Lombok. As equipes de emergência confirmaram a morte de um passageiro indonésio e mantêm buscas por possíveis desaparecidos.

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Responsáveis pela operação mobilizaram mais de 200 profissionais, além de embarcações de apoio, para conter as chamas, rebocar a balsa e conduzir o resgate. As causas do fogo ainda não foram identificadas. Investigadores avaliam se eventual sobrecarga de carga ou de passageiros pode ter contribuído para o incidente.

“Mobilizamos algumas embarcações para realizar a evacuação e coordenar com outros barcos que estavam ao redor do local do incidente”, declarou Muhammad Hariyadi, identificado como chefe da agência local de resgate.

Entre os sobreviventes, apenas um passageiro é australiano; os demais são indonésios. Relatórios preliminares apontam divergências entre o número de pessoas a bordo e o manifesto apresentado no porto de origem. Documentos oficiais mencionavam 114 passageiros e 17 tripulantes, totalizando 131 pessoas. As autoridades não descartam a hipótese de que viajantes adicionais tenham embarcado sem registro formal.

Heri Wiyanto, servidor do porto de Padangbai, disse a uma emissora local que o controle de passageiros baseou-se nos dados do manifesto entregue antes da partida.

O episódio ocorre menos de um mês após acidente semelhante envolvendo a balsa KM Mutiara Sentosa 2, próxima à ilha de Madura, que resultou em cinco mortes e também levantou suspeitas de lotação superior à permitida. A repetição de casos pressiona autoridades marítimas a reforçarem inspeções e a revisarem protocolos de segurança em um país que contabiliza mais de 17 mil ilhas e depende amplamente do transporte por barco.

Analistas locais ressaltam que, embora as rotas náuticas sejam economicamente acessíveis, a aplicação de normas técnicas varia entre províncias. Dados de órgãos independentes apontam índice de acidentes em balsas acima da média mundial, reflexo de fiscalização irregular, infraestrutura deficiente e, por vezes, manutenção inadequada das embarcações.

Equipes de resgate devem manter as buscas até que toda a área seja varrida. Autoridades prometem divulgar relatórios preliminares sobre a origem do incêndio após as perícias na embarcação e nos depoimentos de tripulantes.

Passageiros feridos leves receberam atendimento em centros médicos próximos aos portos de destino. Não há, até o momento, confirmação de desaparecidos estrangeiros. A embaixada da Austrália acompanha a situação do cidadão resgatado.

O governo provincial informou que novas medidas de segurança serão discutidas em reunião emergencial com operadores de balsas ainda nesta semana. Entre as propostas estão a instalação de sistemas de alarme reforçados, treinamento adicional para tripulações e fiscalização eletrônica do número de embarcados.

Enquanto as investigações prosseguem, rotas alternativas entre Bali e Lombok permanecem ativas, mas com inspeções adicionais antes do embarque. Autoridades reiteram o alerta para que passageiros verifiquem a capacidade declarada das embarcações e exijam a emissão de bilhetes nominais.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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