Pesquisas internas indicam que o presidente tem desempenho superior ao de Haddad no estado. A estratégia busca transferir popularidade e ampliar a competitividade petista.
Aliados de Fernando Haddad (PT) avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa assumir um papel mais visível na corrida pelo governo de São Paulo. Segundo interlocutores próximos à campanha, pesquisas internas mostram que o chefe do Executivo apresenta desempenho eleitoral superior ao do ex-ministro da Fazenda no Estado, diferença que poderia reduzir a vantagem mantida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A leitura entre estrategistas petistas é que a própria escolha de Haddad como candidato ao Palácio dos Bandeirantes teve, entre seus objetivos, fortalecer a presença de Lula no maior colégio eleitoral do país. O partido perdeu território para Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022 e aposta que a associação direta entre presidente e ex-prefeito paulistano ajude a reconquistar parte do eleitorado paulista.
De acordo com integrantes da campanha, levantamentos recentes indicam que Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial dentro do Estado, mas a margem diminuiu nos últimos dias em meio a controvérsias envolvendo Fábio Luís da Silva, filho do presidente. Mesmo assim, a expectativa interna é de recuperação nas próximas semanas, desde que o protagonismo seja dividido de forma consistente com Haddad.
Membros da equipe eleitoral estimam que Tarcísio de Freitas mantém cerca de dez pontos percentuais de vantagem sobre Haddad. O diagnóstico é que a presença frequente de Lula em agendas paulistas, combinada a um discurso unificado, pode atrair eleitores hoje inclinados a votar no presidente para o Palácio do Planalto e no governador do Republicanos para o Palácio dos Bandeirantes.
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Nos bastidores, uma das prioridades é desconstruir o chamado “voto Lula e Tarcísio”. Essa estratégia, defendem os articuladores, passa por reforçar a identificação dos dois petistas como parte de um mesmo projeto político. A intenção é limitar o espaço para um voto cruzado que favoreça o atual governador.
Os aliados também discutem intensificar a participação de Lula em programas de televisão, redes sociais e eventos de rua ao lado de Haddad. A lógica é que a transferência de capital político se torne mais perceptível ao eleitor, reduzindo a distância entre as intenções de voto de presidente e candidato a governador.
Ainda não há definição pública sobre a frequência de atos conjuntos, mas dirigentes partidários sinalizam que agendas em regiões onde o PT tradicionalmente encontra mais resistência — como interior e litoral paulista — são consideradas prioritárias. Nessas áreas, o governador Tarcísio registra índices de aprovação superiores aos do petista, o que reforça a necessidade, apontada pelos estrategistas, de uma atuação coordenada entre Lula e Haddad.
Em paralelo, o comando da campanha monitora com atenção a evolução dos chamados trackings diários. Caso a diferença para o Republicanos permaneça estável, a avaliação interna é de que haverá necessidade de ajustes no foco da comunicação e na distribuição de recursos, especialmente em marketing digital.
Apesar dos desafios, a cúpula petista demonstra confiança na capacidade de Lula para ampliar apoios. Segundo pessoas envolvidas nas discussões, o presidente teria condições de “arrastar” votos suficientes para levar Haddad a uma disputa mais equilibrada, cenário considerado essencial para o partido retomar o comando do maior Estado do país.
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