Tensão em Ormuz eleva petróleo e deixa bolsas asiáticas sem rumo

Robson Alves
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O bloqueio parcial da rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global mantém investidores em alerta. Na Coreia do Sul, a Samsung puxou o Kospi para cima.

As principais bolsas da Ásia fecharam sem direção única nesta terça-feira (11/08), em um cenário marcado pela incerteza nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz. A rota marítima, por onde circula perto de 20% do petróleo comercializado globalmente, permanece parcialmente bloqueada, o que manteve a commodity em valorização e influenciou o sentimento dos investidores.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi avançou 0,73%, alcançando 6.345,53 pontos. O desempenho positivo foi ancorado pela gigante de semicondutores Samsung, que registrou alta de 4,13%. Já a concorrente SK Hynix subiu 0,35%. Segundo analistas de mercado, a expectativa por demanda robusta em chips de memória continuou sustentando o setor de tecnologia em Seul.

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Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,10%, para 25.652,82 pontos, pressionado por vendas em ações de consumo e imobiliário. Investidores demonstraram cautela diante da trajetória de juros globais e do impacto potencial de um petróleo mais caro sobre as margens das empresas locais.

O Taiex, de Taiwan, encerrou em alta de 0,43%, somando 45.120,72 pontos, apoiado por papéis ligados à cadeia de semicondutores. Na China continental, porém, prevaleceu o sinal negativo: o Xangai Composto caiu 0,82%, a 3.934,09 pontos, enquanto o Shenzhen Composto perdeu 0,46%, fechando em 2.577,62 pontos. Operadores apontaram realização de lucros após ganhos recentes e preocupação com o ritmo da recuperação doméstica.

No Japão, não houve sessão devido a feriado nacional. A ausência de liquidez em Tóquio limitou a formação de tendência mais clara na região.

Fora da Ásia, a bolsa australiana também sentiu os reflexos do petróleo mais caro. O S&P/ASX 200 avançou 0,19%, atingindo 9.250,60 pontos, impulsionado por mineradoras e companhias de energia.

No mercado de commodities, o barril do Brent subia acima de US$ 90 no fim da madrugada, alta superior a 2% e acumulando ganho de 5% na véspera. Operadores atribuíram o movimento à ausência de um acordo rápido para normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz. A elevação reforçou temores de pressões inflacionárias que podem levar grandes bancos centrais, sobretudo o Federal Reserve, a adotar juros mais altos por período prolongado.

Com a escalada da commodity, autoridades econômicas de diferentes países monitoram possíveis efeitos sobre a inflação doméstica. No Brasil, o governo segue avaliando medidas para mitigar impactos no preço dos combustíveis, caso o petróleo continue em patamar elevado.

Analistas destacam que a falta de definições geopolíticas tende a prolongar a volatilidade nos mercados acionários. Enquanto não houver clareza sobre o fluxo de navios no Estreito de Ormuz, investidores devem permanecer atentos a revisões nas projeções de crescimento e inflação, além da resposta das autoridades monetárias.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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