AGU cobra plano do Discord e ameaça ação por falhas contra menores

Paulo Filho
4 Min Leitura

Após a transmissão do suicídio de uma adolescente, a plataforma terá de apresentar medidas à União nesta semana. Sem resposta, a empresa pode enfrentar ação civil pública.

A plataforma de comunicação Discord apresentou à Advocacia-Geral da União (AGU) o compromisso de elaborar um plano detalhado de segurança, depois que a transmissão ao vivo do suicídio de uma adolescente de 13 anos expôs falhas no controle de conteúdo. Segundo a AGU, o documento com as medidas corretivas deve ser entregue ainda nesta semana, sob pena de abertura de Ação Civil Pública para responsabilizar a empresa pelo descumprimento de normas que protegem crianças e adolescentes na internet.

A pressão sobre o serviço ganhou força após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ter instaurado processo administrativo por possível violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. O órgão concedeu cinco dias úteis para que o Discord comprove ações efetivas contra publicações que incentivem automutilação e suicídio. Entre as exigências estão sistemas robustos de verificação etária e bloqueio de acesso de menores a material inapropriado.

Publicidade

Em paralelo às medidas regulatórias, uma manifestação pública da primeira-dama, Rosângela da Silva, reforçou os apelos por providências.

“A gente precisa atuar junto ao Judiciário para tirar essa rede horrorosa do ar”,

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

declarou. O posicionamento ampliou o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a eventual adoção de bloqueios judiciais em casos de descumprimento reiterado da legislação.

Relatório recente do Ministério da Justiça apontou falhas na fiscalização interna do Discord, indicando que o modelo de auto moderação não impediu a criação de canais privados onde usuários teriam coagido a jovem de Mato Grosso do Sul a cometer o ato extremo. A AGU pretende firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que obrigue a empresa a seguir padrões mais rigorosos de checagem e a adotar políticas transparentes de remoção de conteúdo nocivo.

Procurada, a companhia afirmou manter diálogo permanente com autoridades federais e garantiu colaborar com investigações policiais. Em nota, declarou que forneceu dados de suspeitos às forças de segurança e desativou o servidor privado associado ao caso antes da consumação do suicídio. O Discord reiterou que não tolera a promoção de violência e destacou ferramentas de inteligência artificial e equipes de moderação atuando em tempo integral para identificar violações aos termos de uso.

Especialistas em direito digital observam que a iniciativa de firmar um TAC pode evitar medidas mais duras, como multas elevadas ou a suspensão temporária do serviço no Brasil. No entanto, alertam que o cumprimento efetivo dos compromissos será acompanhado por sucessivas auditorias técnicas, já que episódios semelhantes ocorreram em outras redes sociais. Caso os prazos fixados pela ANPD não sejam respeitados, a empresa ficará sujeita a sanções previstas na Lei Geral de Proteção de Dados, podendo chegar a 2% do faturamento no país, limitado a R$ 50 milhões por infração.

Enquanto isso, organizações da sociedade civil defendem que a discussão avance para uma legislação mais abrangente sobre segurança on-line de menores, capaz de harmonizar liberdade de expressão e proteção da infância. Já representantes do setor tecnológico argumentam que soluções técnicas, como verificação facial ou documental, precisam equilibrar privacidade e eficiência, evitando sobrecarga excessiva aos usuários legítimos.

A expectativa é de que o plano solicitado pela AGU detalhe prazos, indicadores de desempenho e mecanismos independentes de supervisão. Autoridades indicam que a avaliação do cronograma será decisiva para definir se a via judicial será concretizada ou se o TAC será suficiente para corrigir as falhas apontadas.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Paulo Filho é contador e especialista em legislação tributária e direito empresarial. Com sólida atuação na área contábil e jurídica, colabora com portais de notícias trazendo análises sobre economia, finanças públicas, tributação e o impacto das decisões jurídicas no cotidiano dos cidadãos e das empresas.
Entre no Grupo de Notícias