Candidatos ao governo de São Paulo confrontaram propostas e gestões anteriores na Band. Segurança pública, escolas e economia dominaram o primeiro encontro televisivo.
O primeiro debate televisivo entre os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), ocorreu em 09/08 na Band e concentrou-se em três eixos principais: educação, segurança pública e economia. Embora o encontro tenha apresentado poucos momentos de embate direto, as comparações de resultados dos últimos quatro anos de gestão estadual e das políticas implementadas na capital paulista marcaram o tom da discussão.
Na abertura, dedicada à educação, Tarcísio defendeu avanços alcançados pela administração estadual. Entre os números citados estão a expansão das escolas de tempo integral, o aumento da formação de docentes e o crescimento do ensino técnico. De acordo com dados mencionados pelo governador, a soma de matrículas na rede estadual e nas Etecs subiu de 136,8 mil em 2023 para 321 mil em 2026, alta de 134%.
Haddad contestou o panorama exposto ao apontar que São Paulo perdeu posições em indicadores de qualidade do ensino médio. Segundo o petista, o Ideb da rede estadual recuou de 4,4 para 4,2 entre 2021 e 2023, e o Saeb indicou queda nas médias de língua portuguesa e matemática. Tarcísio respondeu destacando os resultados na alfabetização: o Estado recebeu o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada ao alcançar 118 de 150 pontos, com 61% dos alunos alfabetizados na idade apropriada em 2025.
Quando as perguntas passaram a ser livres, a cracolândia foi pauta central. Tarcísio questionou o programa De Braços Abertos, criado na gestão de Haddad na Prefeitura de São Paulo. O petista sustentou que a iniciativa levou “dois terços” dos participantes a abandonar o crack. Estudos citados no debate, contudo, indicaram que 67% reduziram — mas não cessaram — o consumo, e que a presença média de usuários na região cresceu 160% entre 2016 e 2017.
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“Dois terços das pessoas atendidas pelo programa deixaram o uso do crack e das drogas”, afirmou Haddad no palco.
Tarcísio rebateu dizendo que o fluxo foi eliminado em sua gestão. Dados do governo estadual mostraram que cerca de 3 mil usuários frequentavam a área em 2023; a concentração diminuiu até o esvaziamento final da Rua dos Protestantes em maio de 2025. O endereço se tornou a Praça do Triunfo, inaugurada em julho com investimento aproximado de R$ 2,5 milhões.
O debate também incluiu menção ao reassentamento da Favela do Moinho. Segundo informações apresentadas, quase 950 mudanças foram realizadas desde abril de 2025, das quais 627 famílias já ocupavam moradias definitivas em julho. O projeto conta com parceria entre governo estadual e Ministério das Cidades para oferecer unidades de até R$ 250 mil.
Haddad voltou a criticar a política de segurança estadual e apontou suposto fortalecimento do PCC, enquanto Tarcísio citou dados de queda de roubos nos distritos que abrangem Campos Elíseos e Santa Cecília: de 2.905 ocorrências no primeiro trimestre de 2023 para 881 no mesmo período de 2026, redução de 70%.
Economia foi o último tema de destaque, com acusações mútuas sobre responsabilidade fiscal e capacidade de investimento. Sem confrontos diretos mais extensos, o debate fechou reforçando a polarização de projetos já esperada para a disputa paulista.


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