União Brasil e PP decidiram não fechar questão na disputa pelo Planalto. Com autonomia nos estados, alianças locais podem influenciar a corrida nacional e os palanques em Sergipe.
Em convenção nacional realizada de forma virtual nesta terça-feira, 04/08, o União Brasil optou por não declarar apoio formal a nenhum candidato na eleição presidencial de 2026. A deliberação vale para toda a Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, e confirma a linha de neutralidade também já aprovada pelo PP no último fim de semana.
Na prática, a decisão abre caminho para que os diretórios estaduais da federação escolham, de acordo com suas estratégias locais, quais presidenciáveis pretendem apoiar. A medida foi apresentada como forma de acomodar realidades políticas diferentes nos diversos estados e evitar conflitos internos em torno de uma única candidatura.
Durante o encontro virtual, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, frisou que o partido não fechará questão sobre o voto para o Palácio do Planalto.
“A posição busca preservar a autonomia das lideranças estaduais e refletir a diversidade de interesses da federação”, afirmou Rueda.
A federação passa a permitir, dessa forma, que filiados ligados ao campo conservador possam participar de palanques distintos. O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da direita na disputa, é apontado como destino provável de parlamentares e dirigentes da União Progressista, apesar da ausência de apoio institucional. Integrantes da sigla lembram que muitas das pautas defendidas pelo partido convergem com as propostas apresentadas pelo candidato do PL.
No PP, o cenário é semelhante: embora a orientação oficial seja de neutralidade, o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), já manifestou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro. Dirigentes ouvidos após a convenção avaliam que a liberdade concedida tende a fortalecer alianças regionais, sobretudo em estados onde a composição das chapas locais inclui partidos adversários em âmbito nacional.
Com o prazo das convenções partidárias se encerrando ainda neste mês, líderes da União Progressista afirmam que o debate seguirá aberto internamente. A expectativa, segundo interlocutores, é que a federação mantenha a neutralidade até o primeiro turno, mas não descarta revisão da estratégia caso o cenário eleitoral mude. Destacam, contudo, que qualquer alteração dependerá de nova reunião da Executiva, em linha com o estatuto recém-aprovado.
Até lá, candidatos a governos estaduais, Senado e Câmara poderão firmar compromissos livres com diferentes palanques presidenciais, desde que respeitem as diretrizes gerais e não contrariem as resoluções internas sobre distribuição de recursos do fundo partidário e tempo de rádio e TV.

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