Júlio Bitelli seguirá em consultas no Brasil, sem prazo para voltar a Buenos Aires. O governo avalia a crise diplomática aberta após declarações do presidente argentino.
O embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, permaneceu em Brasília depois de ter se reunido, na quarta-feira (29.jul.2026), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. De acordo com a decisão tomada no encontro, ainda não há data para o eventual retorno do diplomata a Buenos Aires.
Bitelli havia sido convocado para consultas no domingo (26.jul) após críticas dirigidas ao governo brasileiro pelo presidente argentino, Javier Milei. Foi a segunda vez, desde o início da tensão bilateral, que o embaixador discutiu o tema pessoalmente com autoridades brasileiras.
No momento, o Itamaraty pretende monitorar o desdobramento da situação antes de fixar um calendário para a volta do representante. Integrantes do governo afirmam que o retorno dependerá de como a administração argentina conduzirá o episódio nas próximas semanas.
Em Buenos Aires, o chanceler argentino Pablo Quirno declarou, também na quarta-feira, que não existe possibilidade de ruptura nas relações diplomáticas entre os dois países. Segundo ele, a cooperação bilateral será mantida.
A tensão ganhou força depois de declarações de Milei durante a convenção do Partido Liberal, realizada no sábado (25.jul.2026). O presidente argentino comparou o chamado “risco Kuka” — expressão local usada para se referir à família Kirchner — a um suposto “risco Lula” no Brasil. Em referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Milei utilizou termos ofensivos.
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“É hora de pôr um fim à merda socialista”, afirmou Milei no evento.
“A Argentina conhece melhor do que ninguém as consequências de seguir o caminho do socialismo até suas últimas consequências. Vimos como esses malditos esquerdistas levaram uma nação que era potência mundial à pobreza”, declarou o presidente argentino.
Até o momento, não houve manifestação pública do governo brasileiro sobre possíveis medidas adicionais em resposta às falas. Autoridades envolvidas na negociação apontam que qualquer passo dependerá do impacto político das declarações e da postura oficial de Buenos Aires.
Nos bastidores, diplomatas destacam que a relação comercial entre os dois países continua significativa, especialmente no âmbito do Mercosul, e que uma escalada retórica isolada não é suficiente para comprometer interesses estratégicos.
Apesar de não haver previsão de novos encontros formais, fontes do Itamaraty mencionam a possibilidade de conversas telefônicas para reduzir a temperatura. Por ora, a orientação segue focada em acompanhar o cenário e avaliar a conveniência de manter Bitelli em Brasília.

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