Trabalho aliado aos estudos eleva nível de leitura entre jovens, revela INAF

Rafael Ramos
3 Min Leitura

A participação no mercado de trabalho, sobretudo enquanto o jovem ainda frequenta a escola, está ligada a melhores índices de alfabetismo funcional entre brasileiros de 15 a 29 anos. O dado consta do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), divulgado nesta terça-feira (12).

Conforme o levantamento, 65% dos jovens que estudam e trabalham alcançam nível de alfabetismo considerado adequado. O percentual cai para 43% entre os que apenas estudam, fica em 45% entre os que somente trabalham e despenca para 36% entre aqueles que não estudam nem trabalham.

Níveis de alfabetização no país

O INAF mediu também a situação da população com 15 anos ou mais. Apenas 35% apresentam alfabetização consolidada, aptos a localizar informações implícitas em textos e lidar com números complexos. Outros 36% têm alfabetização elementar, suficiente para textos de média extensão e operações básicas até a casa do milhar. Os 29% restantes são classificados como analfabetos funcionais.

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Segundo a coordenadora do estudo, Ana Lima, o trabalho presencial oferece oportunidades de aprendizagem informal. “No ambiente de trabalho você convive com quem sabe mais, troca experiências e desenvolve habilidades de leitura, escrita e matemática”, afirmou. Ela pondera, entretanto, que o avanço verificado ainda não atende às exigências de um mercado cada vez mais tecnológico.

Desafios de qualificação

Para Lima, apesar de jovens terem hoje escolarização superior à geração anterior, muitos enfrentam limitações frente a postos de trabalho que demandam qualificação elevada. “Há frustração de ambos os lados: empregadores buscam profissionais mais preparados, enquanto trabalhadores investiram mais tempo nos estudos”, observou.

A pesquisadora defende políticas públicas de formação continuada e maior integração entre instituições de ensino, empresas e programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo ela, a EJA precisa focar na conciliação entre trabalho e retomada dos estudos, envolvendo formação profissionalizante e parcerias com o setor produtivo.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Desigualdades de gênero e raça

O INAF aponta ainda fortes disparidades. Entre mulheres jovens classificadas como analfabetas funcionais, 42% não estudam nem trabalham. No caso dos homens nessa mesma condição, o índice é de 17%. Já 56% dos homens analfabetos funcionais estão apenas trabalhando, o que o estudo relaciona às responsabilidades de sustento familiar.

Quando a análise inclui raça, 17% dos jovens negros são analfabetos funcionais, ante 13% dos jovens brancos. Na faixa com alfabetismo consolidado, 40% são negros e 53% brancos.

O relatório conclui que o ritmo de melhora dos indicadores é lento e estável, reforçando a necessidade de políticas voltadas a grupos vulneráveis, especialmente pessoas pobres, negras e indígenas.

Com informações de Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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