ARACAJU — Em 2026, o esforço da rede pública colocou Sergipe no 4º lugar do ranking brasileiro de transplantes de córnea, com 245 cirurgias em 2025 e outras 64 realizadas até 4 de maio.
- Em resumo: 194 sergipanos aguardam na fila por um novo tecido ocular.
Rede estadual amplia captação de tecidos
Dados da Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), indicam 70 doadores e 223 procedimentos em 2024. No ano seguinte, o número de cirurgias saltou para 245, resultado do trabalho do Banco de Olhos do Hospital de Urgências Governador João Alves Filho (Huse).
Apesar do avanço, a fila ainda soma 194 pacientes.
“Mais do que um procedimento médico, cada transplante representa a chance de recomeçar, recuperar a autonomia e reconstruir projetos de vida. Histórias como a de André evidenciam que, quando a solidariedade se alia à eficiência da saúde pública, os resultados vão além da cura: devolvem dignidade e a possibilidade de enxergar o mundo novamente. No Brasil, a doação de órgãos só é realizada com autorização de familiares de até segundo grau, o que torna fundamental que cada pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora”, afirmou Benito Fernandez, coordenador da CET/SES.
Depoimentos reforçam impacto social
Morador de Aracaju, André Santos, 29, enfrentou ceratocone desde os oito anos e encontrou no SUS a única saída.
“Ficamos bastante preocupados, minha mãe ficou em choque. Na época a dificuldade era enorme, mas como conseguimos todo o encaminhamento com o SUS isso ajudou bastante a todos nós. Fiz o transplante e a cirurgia mudou a minha vida”, disse André.
“Hoje sou formado em pedagogia, mas isso tudo só aconteceu porque tenho uma nova visão, um novo olhar”, declarou.
“Percebi que minha vontade e meu foco é trabalhar na área da saúde, em doação de órgãos, porque sou muito grato. Eu tinha um sonho e hoje, graças à visão, consigo realizar”, acrescentou.
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Segundo a gerente do Banco de Olhos, o processo de captação começa logo após a notificação de óbito.
“Quando acontece um óbito, seja na rede pública ou privada, a gente é notificado. Avaliamos esse caso dentro de até seis horas, ou 12 horas se o corpo estiver refrigerado. Após essa etapa, a equipe analisa o prontuário e conversa com a família sobre a possibilidade de doação. Entrevistamos a família para saber se ela tem o desejo de doar”, explicou Flávia Andrade, gerente do Banco de Olhos.
“Com a autorização, inicia-se o processo de captação e preservação das córneas, seguido por análises clínicas e avaliação especializada. Só então o tecido é liberado para a Central de Transplantes realizar a distribuição para os pacientes que aguardam pelo procedimento”, detalhou Andrade.
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Crédito da imagem: Divulgação / SES-SE
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