Fraude na Americanas impõe perdas bilionárias aos bancos, diz Itaú

Robson Alves
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O presidente do Itaú afirmou que a ocultação de passivos na Americanas causou prejuízos em todo o sistema bancário. Para Milton Maluhy, o caso está entre as maiores fraudes do país.

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou nesta quarta-feira, 5, que a fraude contábil revelada na Americanas provocou perdas bilionárias em todo o sistema bancário brasileiro. A avaliação foi apresentada durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre, quando o executivo classificou o episódio como “uma das maiores fraudes já registradas no Brasil”.

Segundo Maluhy, a estrutura da fraude não se resumiu a erros de classificação ou a divergências técnicas sobre contabilização de despesas. A prática, descreveu, envolveu a ocultação deliberada de passivos, o que teria levado as instituições financeiras a registrarem provisões e baixas expressivas em seus balanços. O dirigente reforçou que não há indícios de participação dos bancos no esquema. Para ele, o posicionamento das instituições é de vítima, já que a materialização das perdas superou significativamente as receitas que vinham sendo obtidas com operações de risco sacado — modelo no qual o banco antecipa recursos a fornecedores com base em recebíveis da varejista.

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“O problema não foi uma simples discussão de classificação contábil, mas sim uma ação deliberada de omitir e ocultar passivos”, declarou Maluhy. “Se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é supernegativo.”

Na visão do executivo, a responsabilidade primária pela veracidade das demonstrações financeiras cabe à Americanas e aos auditores independentes contratados pela varejista. Ele sustentou que, enquanto acionam mecanismos jurídicos para tentar recuperar parte dos valores, os bancos continuarão revisando processos de concessão de crédito e monitoramento de riscos em grandes companhias. “Estamos avaliando como aperfeiçoar controles, mas é importante reconhecer que controles internos e externos falharam no caso específico”, acrescentou.

Os informes do segundo trimestre mostram que o Itaú constituiu provisões adicionais para perdas ligadas ao caso Americanas. Outros grandes bancos adotaram postura semelhante, o que reduziu o resultado líquido consolidado do setor. Analistas de mercado estimam que o efeito total pode ultrapassar dezenas de bilhões de reais, mas os números exatos dependerão das recuperações judiciais em curso e de eventuais acordos com a companhia.

A fraude foi revelada em janeiro, quando a Americanas divulgou inconsistências contábeis que alcançariam R$ 20 bilhões. Desde então, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial e vem negociando dívidas com credores. Investigações internas e externas seguem em andamento para determinar a extensão dos passivos ocultados e identificar possíveis responsáveis.

Apesar do impacto, Maluhy afirmou que a solvência do sistema bancário permanece sólida, citando indicadores de capitalização acima das exigências regulatórias. O executivo, porém, reconheceu que o episódio liga um “alerta vermelho” sobre transparência corporativa. “Continuaremos defendendo a importância de controles robustos e da integridade na prestação de contas”, concluiu.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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