Cerco jihadista a Bamako pressiona aliança do Sahel

Rafael Ramos
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BAMACO, MALI — O governo do coronel Assimi Goïta enfrenta, desde o último sábado (25/04), um cerco armado a Bamako liderado pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM) e pela Frente de Libertação do Azaward (FLA), ação que matou o ministro da Defesa, Sadio Camara, e colocou em xeque a Aliança dos Estados do Sahel (AES).

  • Em resumo: jihadistas bloquearam acessos à capital para forçar a rendição do governo.

Ataques coordenados em 25/04

Os insurgentes tomaram a estratégica cidade de Kidal e ergueram barreiras rodoviárias rumo a Bamako. A ofensiva deixou Camara morto e obrigou as Forças Armadas a redirecionar tropas para a defesa da capital.

“Se o Mali cair, cria-se uma situação extremamente complicada para os outros dois países da AES […] isso traria problemas também para Gana e Costa do Marfim”, disse Eden Pereira Lopes da Silva, pesquisador do NIEAAS.

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Risco de desintegração da AES

Em nota, a AES classificou o ataque como “bárbaro e desumano” e citou “uma conspiração monstruosa” contra o bloco formado por Mali, Níger e Burkina Faso.

“Que carrega a marca de uma conspiração monstruosa, apoiada por inimigos da luta de libertação do Sahel”, declarou a aliança.

Mali leva denúncia à ONU

O governo maliano acusou formalmente a França, em 2022, no Conselho de Segurança da ONU, de violar seu espaço aéreo para apoiar jihadistas.

“O Mali possui diversas provas de que essas flagrantes violações foram usadas para lançar armas e munições a grupos terroristas”, registrou o documento.

“Há nove anos, a França afirma, juntamente com o Mali — e a pedido do Mali —, que está determinada a lutar contra esses grupos, e 59 soldados franceses perderam a vida nessa luta”, respondeu o governo francês.

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Interferência externa e recursos naturais

O jurista Hugo Albuquerque avalia que a ofensiva visa derrubar regimes nacionalistas e reabrir caminho para a exploração de ouro, urânio e um gasoduto que sai da Nigéria.

“Eles querem derrubar esses regimes para, basicamente, voltar a explorar os recursos naturais”, afirmou Albuquerque.

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Crédito da imagem: Reprodução / Mali Presidency – Reuters

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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