BAMACO, MALI — O governo do coronel Assimi Goïta enfrenta, desde o último sábado (25/04), um cerco armado a Bamako liderado pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM) e pela Frente de Libertação do Azaward (FLA), ação que matou o ministro da Defesa, Sadio Camara, e colocou em xeque a Aliança dos Estados do Sahel (AES).
- Em resumo: jihadistas bloquearam acessos à capital para forçar a rendição do governo.
Ataques coordenados em 25/04
Os insurgentes tomaram a estratégica cidade de Kidal e ergueram barreiras rodoviárias rumo a Bamako. A ofensiva deixou Camara morto e obrigou as Forças Armadas a redirecionar tropas para a defesa da capital.
“Se o Mali cair, cria-se uma situação extremamente complicada para os outros dois países da AES […] isso traria problemas também para Gana e Costa do Marfim”, disse Eden Pereira Lopes da Silva, pesquisador do NIEAAS.
Risco de desintegração da AES
Em nota, a AES classificou o ataque como “bárbaro e desumano” e citou “uma conspiração monstruosa” contra o bloco formado por Mali, Níger e Burkina Faso.
“Que carrega a marca de uma conspiração monstruosa, apoiada por inimigos da luta de libertação do Sahel”, declarou a aliança.
Mali leva denúncia à ONU
O governo maliano acusou formalmente a França, em 2022, no Conselho de Segurança da ONU, de violar seu espaço aéreo para apoiar jihadistas.
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“O Mali possui diversas provas de que essas flagrantes violações foram usadas para lançar armas e munições a grupos terroristas”, registrou o documento.
“Há nove anos, a França afirma, juntamente com o Mali — e a pedido do Mali —, que está determinada a lutar contra esses grupos, e 59 soldados franceses perderam a vida nessa luta”, respondeu o governo francês.
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Interferência externa e recursos naturais
O jurista Hugo Albuquerque avalia que a ofensiva visa derrubar regimes nacionalistas e reabrir caminho para a exploração de ouro, urânio e um gasoduto que sai da Nigéria.
“Eles querem derrubar esses regimes para, basicamente, voltar a explorar os recursos naturais”, afirmou Albuquerque.
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Crédito da imagem: Reprodução / Mali Presidency – Reuters
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