USDA coloca mercado de grãos em alerta após queda em Chicago

Robson Alves
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Soja, milho e trigo recuaram antes do novo relatório de oferta e demanda dos EUA. Clima favorável nas lavouras americanas aumenta a pressão sobre as cotações.

Os contratos futuros de grãos negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sessão desta terça-feira, 11/08, em queda moderada. O movimento refletiu ajustes de posição por parte dos investidores antes da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para quarta-feira, 12/08.

No mercado da soja, o vencimento para novembro recuou 0,91% e foi cotado a US$ 11,68 por bushel. De acordo com a consultoria Granar, o clima favorável nas lavouras norte-americanas continua a pressionar os preços.

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“As chuvas estão concentradas principalmente na parte leste do cinturão de soja e milho, enquanto a previsão indica novas precipitações ao longo da semana em outras áreas importantes de produção de grãos”

O cenário climático descrito tende a melhorar as condições das plantas em fase de enchimento de grãos, o que pode levar o USDA a manter ou até elevar suas estimativas de produtividade. O mercado, entretanto, não aposta em revisões significativas em relação às projeções divulgadas em julho.

Para o milho, o contrato para dezembro caiu 0,27%, finalizando o dia a US$ 4,60 por bushel. A expectativa de chuvas generalizadas no cinturão de produção voltou a dominar as mesas de negociação. Segundo analistas, uma redução modesta nos números de safra e de estoques norte-americanos ainda é possível, mas os participantes não descartam surpresas, especialmente diante das incertezas sobre exportações da Ucrânia e da possibilidade de maior demanda da União Europeia para a temporada 2026/27.

Os fundamentos globais continuam a oferecer suporte parcial às cotações. A permanência dos ataques russos a portos ucranianos no Mar Negro impede alívio consistente nos prêmios de risco, mantendo no radar discussões sobre rotas alternativas ou mediações diplomáticas.

No segmento do trigo, o contrato para setembro perdeu 1,60% e encerrou a US$ 6,30 por bushel. Fundos de investimento realizaram lucros antes do relatório do USDA, contribuindo para a pressão baixista. Ainda assim, alguns elementos limitam quedas mais acentuadas.

Entre eles estão a redução na classificação das lavouras de trigo de primavera nos EUA e as incertezas relacionadas ao comércio internacional provocadas pela intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia

Dados mais recentes do USDA apontam que 51% das lavouras de trigo de primavera receberam nota boa ou excelente, contra 55% na semana anterior. A colheita do trigo de inverno atingiu 91% da área prevista; já a de trigo de primavera avançou para 24%, superando o ritmo do ano passado.

Com os olhos voltados para o relatório desta quarta-feira, operadores avaliam se o órgão norte-americano ajustará projeções de oferta e demanda em linha com o aumento das precipitações. Qualquer variação fora das expectativas pode trazer volatilidade adicional aos preços nas próximas sessões.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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