Livro debate limites do antissionismo em lançamento em São Paulo

Cláudio Vasconcelos
4 Min Leitura

A advogada Lilia Frankenthal lança obra que discute crítica a Israel, autodeterminação judaica e antissemitismo. Evento será na terça-feira, 11, na Unibes Cultural.

O debate sobre onde termina a crítica legítima às políticas de Israel e onde começa a negação da autodeterminação judaica ganha novo fôlego com o lançamento de “O Antissionismo Impossível — História, Direito e Crime na Negação da Autodeterminação Judaica”. A obra, escrita pela advogada criminalista Lilia Frankenthal, será apresentada ao público na próxima terça-feira, 11, às 19 horas, na Unibes Cultural, em São Paulo.

Com 25 capítulos, o livro percorre quase três milênios de história judaica para contextualizar como a contestação política ao Estado de Israel, quando extrapola a esfera governamental, pode assumir contornos de discurso de ódio. A autora recorre a documentos históricos, decisões judiciais e análises linguísticas para diferenciar oposição a políticas públicas de ataques à existência nacional do povo judeu.

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“Há uma diferença entre dizer que o governo israelense errou e afirmar que Israel não deveria existir”, argumenta Lilia. “Não escrevo contra a crítica; escrevo contra a substituição.”

Ao longo do livro, a criminalista relembra episódios como a destruição do Primeiro Templo, as Leis de Nuremberg, o julgamento de Nuremberg e a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio. Segundo Lilia, esses marcos ajudam a entender como o antissemitismo se reconfigura em diferentes épocas e como o antissionismo contemporâneo, por vezes, reveste acusações antigas de uma roupagem política.

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A autora dedica parte relevante do texto à comparação de legislações que tratam de discurso de ódio e antissemitismo em países como Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Brasil. No caso brasileiro, analisa a Lei 7.716/1989 e o crime de injúria racial para estabelecer limites entre a crítica a um Estado e a incitação à discriminação contra um grupo específico.

A influência da internet no avanço de mensagens hostis também é examinada. Lilia descreve como códigos e expressões veladas são usados em redes sociais para propagar conteúdo antissemita sem despertar imediatamente os mecanismos de moderação ou as autoridades competentes.

A autora transita entre o universo acadêmico e a prática profissional: ela preside a Aviva18, consultoria jurídica especializada em casos de antissemitismo, racismo e crimes digitais. A ligação com o tema também vem de família: Lilia é neta de Marcos Frankenthal, fundador do primeiro jornal em iídiche no Brasil, e filha do criminalista Leonardo Frankenthal.

O evento de lançamento na Unibes Cultural reunirá autoridades, juristas, jornalistas e lideranças comunitárias para um debate sobre liberdade de expressão, discriminação e a linha que separa crítica política de negação de direitos coletivos. A entrada é gratuita, mediante inscrição prévia na própria instituição.

Com linguagem acessível e respaldo documental, “O Antissionismo Impossível” busca oferecer subsídios jurídicos e históricos aos leitores interessados em compreender a complexidade do tema e em identificar quando o discurso contra um governo se transforma em ataque à própria existência de um povo.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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