Um Model 3 invadiu uma casa e atingiu uma mulher de 76 anos, que morreu no hospital. Órgãos federais dos EUA investigam se um sistema automatizado estava ativado.
Um atropelamento ocorrido em 19 de junho, no Texas (EUA), voltou a colocar em evidência a segurança dos sistemas de direção automatizada. Na ocasião, um Tesla Model 3 atravessou a fachada de uma residência e atingiu Martha Avila, de 76 anos, que morreu no hospital. O caso está sendo apurado paralelamente pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) e pelo National Transportation Safety Board (NTSB), principais órgãos federais de segurança viária norte-americanos.
Conforme informações preliminares coletadas pelos investigadores, o condutor declarou que havia acionado um recurso de assistência à condução antes do impacto. Parentes da vítima ingressaram com processo judicial contra a montadora, alegando falhas nos sistemas Autopilot e FSD (Full Self-Driving). A empresa, por sua vez, mantém a posição de que as tecnologias exigem supervisão constante do motorista.
Desde 2022, a NHTSA determina que fabricantes de veículos informem, em até 24 horas, qualquer acidente envolvendo Advanced Driver Assistance Systems (Adas) ou Automated Driving Systems (ADS). As duas categorias diferem entre si: os ADS podem assumir integralmente a direção em determinadas condições, enquanto os Adas oferecem suporte — como piloto automático adaptativo ou centralização em faixa — mas ainda dependem da atenção humana.
Relatórios oficiais indicam mais de 3.800 ocorrências relacionadas a ADS desde o início da obrigatoriedade de notificação. A maior parte envolve empresas que operam robotáxis em áreas urbanas. A Waymo, pertencente ao grupo Alphabet, responde por aproximadamente 2.800 registros, o equivalente a três quartos do total. Zoox (Amazon) e May Mobility aparecem na sequência, com pouco mais de 400 e cerca de 150 eventos, respectivamente. Embora o volume seja alto, grande parte corresponde a colisões de baixa velocidade ou sem vítimas graves; fatalidades continuam sendo exceção.
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Tesla concentra o maior número de investigações no segmento de Adas. Desde 2016, a NHTSA abriu cerca de 50 inquéritos especiais envolvendo veículos da marca com sistemas de assistência ativos, dos quais aproximadamente 20 resultaram em mortes.
No Brasil, a circulação de carros totalmente autônomos permanece proibida. Os modelos ofertados atualmente contam apenas com tecnologias de assistência classificadas entre os níveis 1 e 2 de automação, mantendo o condutor responsável por todas as decisões, conforme o artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro. O dispositivo também veda retirar as mãos do volante, reforçando a impossibilidade de uso dos modos Autopilot ou FSD em vias nacionais.
Em julho de 2025, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece critérios para testes de veículos autônomos em território brasileiro. A proposta prevê autorização prévia dos órgãos competentes, seguro específico, monitoramento contínuo, requisitos de cibersegurança e suspensão imediata das atividades em caso de acidentes. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e, depois, ser analisado pelo plenário da Câmara e pelo Senado antes de virar lei.
Enquanto isso, autoridades brasileiras acompanham o desempenho dos sistemas em mercados estrangeiros. Especialistas observam que o aumento da frota de veículos com algum grau de automação tende a elevar o número de notificações, mas ressaltam a importância de distinguir incidentes leves de casos com consequências graves.
O episódio no Texas reforça a necessidade de avaliações permanentes sobre a eficácia das tecnologias e sobre os limites da responsabilidade compartilhada entre software e motorista. Até que novas regulamentações sejam aprovadas, o debate em torno da segurança dos carros autônomos deverá seguir como tema central na evolução do transporte pessoal.



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