RIO DE JANEIRO — A 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou o trancamento do inquérito que investigava o vereador Salvino Oliveira Barbosa (PSD), preso em 11 de março sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
- Em resumo: juiz apontou irregularidades policiais, falta de prova concreta e possível uso político das investigações.
Juiz critica falta de provas
Na decisão, o magistrado Renan de Freitas Ongaratto observou que o principal indício contra Barbosa era a citação do seu nome em conversa de WhatsApp, datada de 25/03/2025, entre terceiros e o líder criminoso Edgar “Doca” Andrade. Para o juiz, não há “qualquer outro elemento concreto” que ligue o vereador a atividades ilícitas.
Ongaratto ainda classificou a continuidade das apurações como “fishing expedition”, prática repudiada pelos tribunais superiores por buscar provas indiscriminadamente.
“As condutas apuradas suscitam diversos questionamentos acerca de possível utilização do aparato investigativo para fins de perseguição política.”
Conduções coercitivas e exposição de dados
A decisão também lista mandados de condução coercitiva contra pastores, familiares e até os avós do parlamentar, alguns ouvidos sem advogado. Houve, ainda, divulgação pública de suposta movimentação financeira atípica de R$ 100 mil, valor que Barbosa atribuiu a prêmio recebido da Organização das Nações Unidas por trabalho social — informação que, segundo o juiz, nem sequer embasou o pedido de prisão.
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“Investigações tendenciosas são uma ameaça direta à nossa democracia”, afirmou Salvino Oliveira Barbosa, vereador.
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Reflexos eleitorais
O magistrado alertou para a “possível instrumentalização” do inquérito em ano eleitoral. Ex-chefe de Barbosa, Eduardo Paes deixou a prefeitura para disputar o governo estadual contra o deputado Douglas Ruas (PL), aliado do ex-governador Cláudio Castro, tornado inelegível pelo TSE.
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Crédito da imagem: Divulgação / TJRJ
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