Jogos de Inverno de 2026 dependem de 85% de neve artificial na Itália

Rafael Ramos
3 Min Leitura

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, abertos nesta sexta-feira (6), recorrem majoritariamente à produção de neve artificial para garantir as competições. Levantamento do Instituto Talanoa aponta que 85% da neve utilizada em 2026 é gerada por máquinas, reflexo direto do aquecimento global.

Para cobrir pistas e rampas, os organizadores vão fabricar 2,4 milhões de metros cúbicos de neve, operação que exige 946 milhões de litros de água – volume suficiente para encher um terço do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Mais de 125 canhões de neve foram instalados em localidades como Bormio e Livigno, alimentados por reservatórios construídos em áreas de maior altitude. A dependência de tecnologia repete o padrão visto em edições recentes: em Sochi 2014, 80% da neve era artificial; em PyeongChang 2018, 98%; e em Pequim 2022, 100%.

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Menos locais aptos a sediar

O mesmo estudo indica queda acelerada no número de regiões consideradas climaticamente seguras para receber os Jogos. Entre 1981 e 2010, havia 87 áreas confiáveis. As projeções mostram redução para 52 na década de 2050 e para 46 em 2080, mesmo em cenário intermediário de cortes de emissões.

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Impactos além das pistas

Invernos mais curtos e instáveis também afetam a extensão do gelo marinho no Ártico, que permanece abaixo da média histórica. O recorde mínimo foi registrado em setembro de 2012, com 3,8 milhões de km², enquanto em 31 de dezembro de 2025 a área alcançou 12,45 milhões de km², ainda inferior ao padrão de 1991-2020.

Segundo o Instituto Talanoa, a diminuição da neve natural compromete a função de reservatório de água, reduz o fluxo de rios, pressiona hidrelétricas, impacta o turismo de montanha e provoca desequilíbrios em ecossistemas adaptados ao frio, com consequências para economias locais e modos de vida.

Criados em 1924 nos Alpes franceses, os Jogos de Inverno nasceram da abundância de neve natural. Um século depois, especialistas alertam que, sem máquinas, água e energia, o evento não seria mais possível nas condições atuais.

Com informações de Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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