Após três anos de paralisação, futebol palestino volta com 226 clubes

Rafael Ramos
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As competições oficiais serão retomadas em 4 de setembro, após interrupção provocada pelo conflito em Gaza. A Copa dos Mil Mártires reunirá equipes da Cisjordânia, Gaza e campos de refugiados no Líbano.

A Associação Palestina de Futebol (PFA) confirmou, em 10/08, que retomará as competições oficiais no dia 04/09, encerrando uma paralisação de três anos provocada pelo conflito na Faixa de Gaza. O calendário reabre com a Copa dos Mil Mártires, torneio criado para prestar homenagem aos atletas palestinos mortos durante a guerra.

De acordo com a entidade, 226 clubes participarão da disputa: 146 da Cisjordânia, 44 da Faixa de Gaza e 36 provenientes de campos de refugiados no Líbano. A fase inaugural acontecerá simultaneamente em três sedes. Na Cisjordânia, Jabal Al-Mukaber medirá forças com Shabab Al-Khalil no Estádio Faisal Al-Husseini; em Gaza, Shabab Rafah enfrentará Khadamat Rafah; já no Líbano, Al-Ansar jogará contra Al-Nahda no campo de Ain Al-Hilweh.

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“Anunciamos que retomaremos nossas atividades esportivas e o campeonato a partir do próximo dia 4 de setembro”.

A declaração foi feita pelo presidente da PFA, Jibril Rajoub, durante entrevista coletiva. Na ocasião, o dirigente explicou que o formato da competição foi desenhado para garantir a representação de todas as regiões onde clubes palestinos estão ativos, mesmo diante das barreiras de deslocamento impostas pelo conflito.

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A federação afirma que o futebol local sofreu fortes impactos desde a escalada de violência iniciada em outubro de 2023. Segundo a PFA, mais de 1.000 atletas estão entre os 73 mil palestinos mortos desde então. O órgão alega ainda que 285 instalações esportivas foram destruídas, parcial ou totalmente, por operações militares na Faixa de Gaza.

Apesar do cessar-fogo previsto para outubro de 2025, confrontos se mantiveram esporádicos na região, e o Hamas não aceita, até o momento, depor as armas em troca da retirada das tropas israelenses. A entidade mantém pedidos antigos de sanções contra clubes israelenses que atuam em assentamentos da Cisjordânia e reforça a solicitação de suspensão da filiação de Israel à Fifa.

“Não exigimos privilégios. Reivindicamos direitos legítimos garantidos pelas leis e estatutos esportivos.”

Enquanto aguarda definições políticas, a PFA centra esforços na logística para garantir segurança a atletas, árbitros e torcedores. A federação também planeja um protocolo de viagens cruzadas entre Gaza e Cisjordânia, envolvendo organizações humanitárias para facilitar a passagem de delegações em pontos de controle militar.

O retorno do campeonato representa, segundo analistas esportivos palestinos, uma tentativa de resgatar o papel integrador do futebol em meio a um cenário ainda instável. A previsão é de que a final da Copa dos Mil Mártires ocorra em novembro, caso o cronograma se cumpra sem novas interrupções.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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