Relatório do DIEESE aponta o maior número da série em 2026. Dados do Serviço Geológico mostram avanço da população em locais sujeitos a deslizamentos e outros perigos.
O contingente de pessoas expostas a perigo geológico no Brasil atingiu 4.679.655 em 2026, o maior valor registrado na série recente. O dado integra o Relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, documento produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades.
De acordo com o levantamento, o total de moradores sob risco cresceu 7% em relação a 2025, quando eram 4.365.530. A pesquisa utiliza informações do Serviço Geológico do Brasil e analisa 48 indicadores sociais, econômicos, ambientais e políticos. Entre esses indicadores, seis apresentaram piora em 2026; a exposição a risco geológico foi um deles.
O relatório afirma que o aumento não decorreu do adensamento populacional em áreas previamente mapeadas, mas de novas áreas identificadas como ameaçadas. Para os autores, essa expansão sinaliza a insuficiência das políticas públicas dedicadas à prevenção de desastres naturais e à oferta de moradia segura.
Atualmente, o país contabiliza cerca de 17 mil áreas classificadas como de risco geológico, majoritariamente ocupadas por famílias de baixa renda sem acesso a habitação adequada. O documento relaciona a vulnerabilidade dessas populações às mudanças climáticas que ampliam a frequência e intensidade de eventos extremos.
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Na análise regional, o Sudeste reúne 1.456.735 pessoas (31% do total nacional) vivendo em condições de risco, seguido pelo Sul, com 1.225.741. O Nordeste aparece com 1.027.594, enquanto o Norte soma 920.020. O Centro-Oeste concentra 49.565, número bem inferior ao observado nas demais regiões.
Apesar do avanço do risco geológico, outros indicadores ambientais apresentaram melhora no período avaliado. As emissões nacionais de gases de efeito estufa caíram 16,7% em 2024, e a área desmatada recuou para 984,8 mil hectares em 2025, o que representa queda de 53,4% em relação ao pico anotado em 2022.
O Observatório Brasileiro das Desigualdades está em sua quarta edição. Criado em agosto de 2023, em conjunto com o Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, o organismo tem como objetivo monitorar a evolução das disparidades regionais e sociais no país, oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas que reduzam vulnerabilidades.
Os responsáveis pelo estudo destacam que a tendência de expansão das áreas de risco demanda ações estruturais, como revisão de planos diretores, investimentos em infraestrutura de contenção e programas de reassentamento. Também sugerem reforço na integração entre órgãos de defesa civil, prefeituras e governos estaduais para agilizar o mapeamento e a mitigação de riscos.

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