USP aponta ‘economia moral da magreza’ por trás das canetas

República da Verdade
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BRASIL — Na última segunda-feira (27/04), o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, ouviu a professora Fernanda Scagluiza, das Faculdades de Saúde Pública e de Medicina da USP, sobre o avanço das canetas emagrecedoras e seus efeitos na sociedade.

  • Em resumo: Scagluiza associa o interesse pelos medicamentos à “economia moral da magreza” e aponta riscos de gordofobia e medicalização.

Medicamento vira símbolo de status corporal

Durante a entrevista, a docente explicou que o apelo pelas injeções se relaciona à forma como corpos magros são valorizados. Segundo ela, esse padrão sustenta indústrias inteiras e já alcança forte visibilidade em veículos como a TV Brasil.

As canetas, embora recomendadas para tratamento da obesidade, vêm sendo usadas por pessoas sem indicação clínica, reforçando a busca por uma “magreza farmacológica”, observou a pesquisadora.

“Enquanto que, socialmente, um corpo gordo é visto como o de alguém preguiçoso, relaxado, que não tem força de vontade, não tem disciplina e outros estereótipos também muito perigosos, como falta de competência, falta de higiene, que não têm nada a ver com a realidade das pessoas”, disse Fernanda Scagluiza, professora da USP.

Gordofobia e perda de direitos

Para Scagluiza, a pressão estética provoca privilégios a quem se encaixa no padrão, ao mesmo tempo em que retira direitos de pessoas gordas.

“Esse sistema vai fazer de tudo para que essa pessoa fique de fora da sociedade, para que se enraize dentro dela a humilhação, a opressão e a falta de dignidade”, afirmou a docente.

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Medicalização do apetite preocupa especialistas

A professora relatou estudo em que usuárias descrevem o medicamento como “vacina contra fome”, sinal de que necessidades biológicas passam a ser tratadas como patologia.

“Em um estudo que a gente está submetendo para uma revista, a gente encontrou o seguinte: as mulheres que já tinham usado as canetas, elas usavam o termo ‘vacina contra fome’”, declarou Scagluiza.





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Crédito da imagem: Reprodução / TV Brasil

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