Segundo a coluna Andreza Matais, o encontro foi no dia 31 e o tom ficou ríspido dos dois lados. Não há confirmação oficial do tribunal
Um encontro tenso no gabinete de André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, antecedeu a decisão que tornou públicas as mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes.

O que diz a coluna
De acordo com a coluna Andreza Matais, publicada pelo portal Metrópoles nesta
terça-feira (1º), o encontro ocorreu no dia 31 de agosto, no gabinete do ministro
André Mendonça. Ainda segundo o texto, foi Alexandre de Moraes quem pediu a
conversa, e Mendonça o recebeu.
A publicação afirma que o clima esquentou depois que Moraes soube que o colega
havia pedido à Polícia Federal o aprofundamento da investigação que revelou as
mensagens atribuídas a ele e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a coluna, o
tom ficou ríspido de parte a parte e, “por pouco, a discussão não descambou
para agressões físicas”. A publicação não afirma que houve agressão.
Questionado sobre como havia obtido a informação, Moraes teria respondido:
“Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça”.
O Supremo Tribunal Federal não confirmou oficialmente o episódio, e as
assessorias dos dois ministros não se manifestaram publicamente sobre o relato
até a publicação desta matéria.
No dia seguinte, o sigilo caiu
Nesta terça-feira (1º), André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia
Federal que reúne mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master,
e ao ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo havia sido revelado inicialmente pelo
jornal O Estado de S. Paulo.
Entre os trechos divulgados está uma mensagem escrita em 15 de novembro de 2025,
um sábado, em que Vorcaro pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar
fora?”. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, o empresário
foi preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular.
O relatório registra ainda pedidos para que o ministro tratasse do andamento das
apurações com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da
República, Paulo Gonet. As respostas de Moraes não foram recuperadas: segundo os
investigadores, Vorcaro escrevia os textos em um aplicativo de notas, fazia
capturas de tela e as enviava em modo de visualização única.
O que diz Alexandre de Moraes
O ministro nega ser o destinatário das mensagens e afirma que elas se dirigiam a
outros contatos da agenda do empresário. O escritório Barci de Moraes, comandado
pela mulher do ministro, sustenta que ele apenas verificou eventuais impedimentos
legais relacionados a um contrato de R$ 131 milhões firmado com o Banco Master e
que nunca julgou causas envolvendo a instituição financeira.
Até o momento não há denúncia formal contra o ministro. O material divulgado não
demonstra que os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos.
Repercussão
A divulgação das mensagens repercutiu no Congresso. O senador Flávio Bolsonaro
(PL) defendeu a saída do ministro do tribunal: “isso é uma coisa muito grave.
Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal
Federal”, disse a jornalistas na chegada ao Congresso Nacional. O caso também
foi debatido ao longo do dia nos telejornais e portais de notícia do país.
Nota da Redação
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