China libera acesso à fronteira com Nepal e reforça busca por desaparecidos

Robson Alves
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Após uma semana de bloqueio por enchentes e deslizamentos, a G216 voltou a operar no Tibete. Máquinas pesadas agora chegam às áreas atingidas para acelerar o resgate.

A rodovia nacional G216, ligação crucial entre a Região Autônoma do Tibete e o posto fronteiriço de Gyirong, voltou a operar nesta quarta-feira (02/09) depois de ficar uma semana bloqueada por inundações e deslizamentos que devastaram o vale montanhoso na fronteira sino-nepalesa.

A via havia sido arrancada em vários pontos em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira desencadeou fluxos de detritos que desceram pelo leito de rios comuns aos dois países. Com a reabertura, escavadeiras, retroescavadeiras e caminhões basculantes passaram a acessar diretamente as zonas de busca, acelerando o trabalho de remoção de entulho e de procura por vítimas.

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“Grande quantidade de máquinas pesadas já chegou ao local onde ficava o antigo complexo de inspeção da fronteira”, informou a emissora estatal chinesa CCTV.

Até domingo, autoridades em Lhasa relatavam 546 pessoas desaparecidas no lado chinês — 261 delas estrangeiras, distribuídas por 23 nacionalidades — e 16 mortes confirmadas. No Nepal, os dados de Katmandu apontavam mais de 1.000 vítimas fatais até a última atualização de quarta-feira.

As operações seguem afetadas por chuvas persistentes, terreno íngreme e risco de novos escorregamentos. Equipes utilizam detectores de sinais vitais, cães farejadores e drones para vasculhar margens de rios, ravinas e trechos instáveis da estrada. Também são monitorados lagos glaciais a montante, que podem romper caso o volume de água continue subindo.

Antes da liberação da via, o socorro dependia exclusivamente de helicópteros para lançar suprimentos, evacuar feridos e posicionar equipes especializadas. O corredor agora reativado permite a criação de bases logísticas terrestres e o envio contínuo de combustível, geradores e materiais de construção.

Gyirong é o principal ponto de passagem rodoviária entre China e Nepal. Pelo posto transita parte significativa do comércio bilateral — estimado em US$ 800 milhões anuais —, além de peregrinos que se dirigem aos sítios sagrados do Himalaia. O bloqueio total durante a semana passada comprometeu a entrega de produtos básicos, elevando o preço de alimentos em povoados remotos.

Eventos extremos vêm se tornando mais frequentes no cordão do Himalaia. Nos últimos dez anos, enchentes em 2013, 2021 e 2023 já haviam provocado milhares de mortes na Índia e no Nepal. Pesquisadores relacionam a instabilidade às mudanças climáticas, ao derretimento acelerado de geleiras e à urbanização de encostas frágeis.

O governo chinês mantém alerta máximo na região e planeja reforçar taludes, reconstruir pontes e instalar estações meteorológicas adicionais. No lado nepalês, o Ministério do Interior estuda redirecionar rotas turísticas até que haja garantia de segurança. Ambos os países concordaram em compartilhar dados hidrológicos em tempo real para prevenir novos desastres.

As equipes de resgate pretendem concentrar-se nos próximos dias em duas frentes: remover destroços que ainda bloqueiam segmentos da rodovia e expandir as buscas por soterrados ao longo de 40 quilômetros do vale. Autoridades locais avisam que o número de desaparecidos pode ser revisto conforme avançam a identificação de turistas estrangeiros e o cruzamento de registros de entrada na fronteira.

Com a estrada novamente funcional, a fase de resposta imediata dá lugar à reconstrução de longo prazo, que inclui reassentar famílias desalojadas e revisar protocolos de segurança para o tráfego de caminhões em áreas sujeitas a deslizes.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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