Zanin anula condenação de Garotinho – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin invalidou a pena de 13 anos e 9 meses aplicada ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho na Operação Chequinho, devolvendo-lhe os direitos eleitorais.
Quebra na cadeia de custódia
Ao analisar o habeas corpus 242.021, Zanin concluiu que as provas digitais extraídas de computadores da prefeitura de Campos dos Goytacazes foram obtidas por meio de pendrive sem perícia, o que rompeu a cadeia de custódia.
Para o ministro, a coleta ilícita violou os princípios constitucionais do contraditório, do devido processo legal e da inadmissibilidade de provas ilícitas.
“Deferi o pedido liminar para suspender os efeitos da sentença condenatória (…) no que se refere à inelegibilidade do paciente para as Eleições de 2024, até ulterior deliberação”, registrou Zanin.
A liminar já suspendia a inelegibilidade; a decisão de mérito tornou a anulação definitiva no processo.
Efeito sobre outros réus
O entendimento também beneficiou Thiago Virgílio Teixeira de Souza, Kellenson Ayres Kellinho Figueiredo de Souza, Lindamara da Silva, Jorge Ribeiro Rangel e Miguel Ribeiro Machado, que tiveram condenações por corrupção eleitoral, associação criminosa e coação no curso do processo declaradas nulas.
A defesa de Garotinho baseou-se em decisão anterior do ministro Ricardo Lewandowski, que anulou a sentença de Thiago Cerqueira Ferrugem Nascimento Alves no mesmo caso, apontando que os documentos eletrônicos usados contra ambos eram idênticos e ilícitos.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia recusado estender a nulidade a Garotinho, mas Zanin reformou esse posicionamento ao considerar que todas as provas derivavam da busca e apreensão inválida.

Procurado, o TSE não respondeu se recorrerá.
Condenações anteriores
Garotinho fora condenado em primeira e segunda instâncias, com confirmação do TSE em março de 2026, após rejeição dos recursos da defesa.
Operação Chequinho
Deflagrada pela Polícia Federal em 2016, a operação apurou um esquema de compra de votos em Campos dos Goytacazes. Segundo o Ministério Público, o programa social municipal Cheque Cidadão era usado como moeda eleitoral: inscrições eram oferecidas em troca de votos a candidatos aliados de Garotinho, então secretário de Governo, e de sua esposa, Rosinha, prefeita na época.
O benefício de R$ 200 para alimentação registrou 18 mil novos cadastros nos meses que antecederam as eleições de 2016, muitos sem comprovação de baixa renda, conforme as investigações.
O Ministério Público afirmou que Anthony Garotinho controlava o esquema com “mão de ferro”, orientando vereadores e servidores sobre a distribuição dos auxílios.
Fonte: Estadão
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