Vorcaro ocultou patrimônio – Vorcaro manteve R$ 260 milhões em obras de arte fora do alcance da Receita Federal, montante cinco vezes maior que o declarado no Imposto de Renda de 2025, conforme documentos da CPMI do INSS.
Rede de offshores dificultava o rastreamento
Relatórios apontam que o ex-controlador do Banco Master utilizava offshores e trustes instalados nas Bahamas e no Alasca para esconder o acervo, entre eles telas de Pablo Picasso e Jean-Michel Basquiat.
Apesar de ter informado apenas R$ 47 milhões em bens de luxo, a EFB Regimes Especiais identificou três quadros internacionais cujo valor ultrapassa R$ 100 milhões.
Uma obra de Basquiat foi negociada por US$ 4,7 milhões em novembro, quando os bens do ex-banqueiro já estavam bloqueados pelo Banco Central em razão da liquidação do Master.
Transferências internacionais e galerias intimadas
O liquidante da instituição acionou a Justiça dos Estados Unidos para convocar 16 galerias que venderam peças ao empresário.
Registros bancários revelam a saída de US$ 80 milhões de contas do Banco Master nas Bahamas para financiar compras no mercado de arte.
Família ajudava nas aquisições no Brasil
No mercado interno, familiares de Vorcaro participavam das operações. O cunhado Fabiano Zettel, segundo a investigação, administrava empresas que adquiriram obras em galerias nacionais.
Dados coletados no celular do investigado indicam repasses de R$ 165 milhões destinados a essas compras.
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Mansão projetada para exibir a coleção
Em Brasília, a casa de R$ 36 milhões do ex-banqueiro, no Lago Sul, funcionava como vitrine do acervo. Visitantes relataram a presença de um painel de Di Cavalcanti de três metros de largura.
O escritório de arquitetura confirmou ao jornal Folha de S.Paulo que o imóvel foi desenhado especificamente para valorizar as obras.
Blindagem patrimonial e posição da defesa
A Receita Federal afirma que holdings estrangeiras são usadas para manter a posse indireta dos bens e evitar a declaração individual.
O modelo lembra o caso do Banco Santos, em que Edemar Cid Ferreira também escondeu quadros de Basquiat fora do país até a quebra da instituição.
A defesa de Vorcaro informou que não comentará a investigação e classificou os dados como vazamentos ilícitos de material sigiloso.
O liquidante tenta impedir que as obras sejam desviadas para colecionadores privados e busca repatriar valores para cobrir o rombo deixado pela gestão do banco.
Fonte: Revista Oeste
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