Dois terremotos devastaram a Venezuela na noite de quarta-feira, deixando um rastro de morte e destruição. O governo decretou emergência nacional e classificou o episódio como o pior sismo do país em mais de um século.
Pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas após dois fortes terremotos atingirem a Venezuela na noite de quarta-feira, 24/06, segundo informou a presidente interina Delcy Rodríguez nesta quinta-feira, 25/06. O governo classificou o episódio como o pior sismo registrado no país desde 1900 e decretou estado de emergência nacional, com o estado de La Guaira declarado “zona de desastre”.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou o primeiro tremor às 18h04, hora local, com magnitude de 7,2 e epicentro a 21 km a oeste de Morón, região norte. Menos de um minuto depois, outro abalo, de 7,5 de magnitude, ocorreu a poucos quilômetros de distância, superando todos os registros sísmicos locais nos últimos 126 anos.
A sequência sísmica danificou severamente dezenas de edifícios, provocou cortes de energia e forçou milhares de moradores a passar a noite nas ruas. La Guaira, localizada a cerca de 40 minutos da capital Caracas, concentrou os maiores estragos. Testemunhas relataram prédios inteiros colapsados e buscas desesperadas por parentes entre os escombros.
“Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali”, relatou Larry Rojas, 49 anos, diante do edifício em que familiares estavam presos.
Em Caracas, relatos semelhantes se multiplicaram. Um edifício de 22 andares desmoronou na área de Chacao, enquanto moradores gritavam nomes de parentes na tentativa de localizar desaparecidos. O aeroporto internacional de Maiquetía, principal via aérea da capital, sofreu danos estruturais e foi fechado, embora a cidade ainda conte com a base militar de La Carlota para operações essenciais.
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“Eu estava no último andar. Caíram muitas coisas das lojas. Saímos pelas escadas de emergência”, contou a vendedora Heidi Romero, 42 anos, do centro comercial Sambil.
Até o início da manhã, mais de 30 réplicas haviam sido registradas. Equipes de busca e resgate de outros estados foram deslocadas para a região afetada, enquanto a coordenação com organismos internacionais se intensificou. Rodríguez confirmou diálogo com o sistema das Nações Unidas para viabilizar o envio de socorristas especializados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou assistência humanitária imediata. O secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou o envio de equipes de busca, recursos médicos e mantimentos. Vários países latino-americanos e nações da Europa e da Ásia expressaram solidariedade e ofereceram apoio técnico e logístico.
Especialistas em gerenciamento de desastres alertam que, nas primeiras 72 horas, a prioridade é localizar sobreviventes e garantir suprimentos de água potável, assistência médica e abrigo temporário. O bloqueio de serviços de internet e telefonia móvel, relatado por moradores, dificulta a comunicação entre familiares e equipes de resgate. Organismos internacionais pediram ao governo a liberação plena dos canais de informação para agilizar operações.
A Venezuela já havia enfrentado tremores significativos em 1997, em Cariaco, com 73 mortos, e em 1967, em Caracas, quando 236 pessoas perderam a vida. O episódio de quarta-feira, contudo, superou ambos em intensidade e extensão dos danos. As autoridades ressaltaram que o número de vítimas pode crescer à medida que novas áreas são acessadas.
Para reduzir riscos adicionais, engenheiros estruturais começaram inspeções emergenciais em hospitais, pontes e prédios residenciais. O Ministério do Interior recomendou à população que evite retornar a estruturas comprometidas até a conclusão dessas avaliações. Enquanto isso, voluntários se organizam para fornecer alimentação e cobertores a quem permanece ao relento.
O governo venezuelano reiterou que atualizações sobre vítimas e ações de socorro serão divulgadas periodicamente. A população foi orientada a manter a calma, seguir protocolos de segurança e colaborar com as equipes de resgate, que seguem concentradas em La Guaira e na Grande Caracas.
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