Venezuela chora 235 mortos após terremotos devastadores no litoral

Robson Alves
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Mais de 28 horas após os abalos, equipes de resgate ainda buscam sobreviventes na costa venezuelana. O ministro da Saúde confirmou o trágico balanço enquanto o governo segue em estado de alerta.

Socorristas venezuelanos permaneceram mobilizados ao longo desta quinta-feira (25) na tentativa de localizar vítimas dos dois terremotos que atingiram a região costeira do país na noite de quarta-feira (24). Segundo as autoridades de Caracas, já se passaram mais de 28 horas desde o primeiro abalo e o número de mortos subiu para 235.

“Infelizmente, recebemos cerca de 235 pacientes que chegam sem sinais vitais ou que falecem ao chegar aos nossos centros de saúde”.

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A declaração foi feita pelo ministro da Saúde, Carlos Alvarado, em pronunciamento transmitido pela emissora estatal. O governo reforçou que a prioridade continua sendo o resgate de pessoas que possam estar soterradas em prédios que ruíram em Caracas, La Guaira e outras cidades próximas ao epicentro.

Especialistas em gestão de desastres lembram que as primeiras 48 a 72 horas após um tremor costumam ser denominadas “janela de ouro”, período no qual as chances de encontrar sobreviventes são mais altas. No entanto, estudos recentes mostram que variáveis como acesso a ar, água e alimentos, além das condições de saúde da vítima, podem prolongar a sobrevivência.

O segundo tremor, de magnitude 7,5, foi classificado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como o mais intenso registrado na Venezuela desde 1900. O intervalo de menos de um minuto entre os dois abalos dificultou a evacuação de imóveis e contribuiu para o colapso de estruturas residenciais e comerciais.

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A conjuntura climática também preocupa. O norte venezuelano enfrenta clima quente e seco nesta época do ano, aumentando o risco de desidratação e exaustão térmica entre pessoas presas sob os escombros. Equipes de resgate utilizam detectores de sons, cães treinados e escavadeiras, mas enfrentam dificuldades com interrupções no fornecimento de energia elétrica e quedas na rede de telecomunicações.

Citando a chamada “regra dos quatro” — quatro minutos sem ar, quatro dias sem água e quatro semanas sem comida — voluntários mantêm a esperança de encontrar pessoas com vida. Casos ocorridos em catástrofes anteriores, como o terremoto de 2023 na Turquia e Síria, em que vítimas foram retiradas após dez dias, reforçam o otimismo moderado.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro confirmou que dois cidadãos do país estão entre as vítimas fatais.

“O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O Ministério presta assistência consular às famílias”, afirma nota oficial.

A infraestrutura de saúde local opera no limite. Hospitais improvisaram alas de atendimento em estacionamentos e praças. Profissionais de saúde pedem doações de plasma, analgésicos e material cirúrgico para lidar com a demanda inesperada.

Paralelamente, governos estrangeiros e organizações humanitárias sinalizaram apoio logístico. Autoridades nacionais confirmaram o recebimento de contatos formais dos Estados Unidos e de países vizinhos oferecendo cães farejadores, geradores elétricos e equipes de engenharia estruturais.

Embora o número de mortes possa aumentar, especialistas alertam que balanços preliminares costumam sofrer revisões significativas à medida que as buscas avançam. Relatórios atualizados devem ser divulgados periodicamente pelas autoridades venezuelanas.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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