Tubarão-mako aparece em litoral do RJ e alerta sobre mudanças no mar

William Kevim
3 Min Leitura

Um dos peixes mais velozes do mundo foi avistado na Baía da Ilha Grande, em Paraty. O registro acende o debate sobre transformações ambientais nos oceanos brasileiros.

Um exemplar de tubarão-mako (Isurus oxyrinchus), popularmente chamado de tubarão-anequim, foi registrado na manhã desta terça-feira (14) na região da Baía da Ilha Grande, litoral de Paraty (RJ). De acordo com a Secretaria Municipal do Ambiente, a espécie, reconhecida como um dos peixes mais velozes do planeta – capaz de ultrapassar 70 km/h –, possui hábitos predominantemente oceânicos, aproximando-se da costa apenas de forma ocasional.

O órgão municipal informou que o aumento recente no número de avistamentos está diretamente relacionado à expansão do monitoramento científico e ao uso cada vez mais difundido de celulares, drones e equipamentos subaquáticos. Esses recursos facilitam o registro de animais que já compunham a fauna local, mas que passavam despercebidos pelo olhar do público em geral.

Publicidade

Para acompanhar a presença do mako e de outras espécies de elasmobrânquios, o Instituto PROSHARK emprega telemetria satelital e acústica, além de sobrevoos com drones em trechos estratégicos do litoral sul-fluminense. Essas informações auxiliam pesquisadores a mapear rotas migratórias e a identificar eventuais interferências humanas nos hábitos do animal.

A Secretaria do Ambiente orientou banhistas e navegadores a evitar qualquer tentativa de aproximação ou interação. A recomendação é manter distância segura e, sempre que possível, deixar a água até que o animal se afaste naturalmente.

Em entrevista, a bióloga marinha Larissa Uema contextualizou a relevância do registro. Segundo ela, o tubarão-mako ocupa o topo da cadeia alimentar oceânica e evoluiu para capturar presas igualmente rápidas, como o atum.

“Ele é tão rápido porque a principal presa é o atum, um dos peixes mais rápidos do planeta. Para atingir essa velocidade, desenvolveu nadadeira caudal em forma de meia-lua e a capacidade de manter partes do corpo mais quentes do que a água ao redor, garantindo potência e aceleração”, explicou.

A pesquisadora destacou que há duas espécies de mako conhecidas mundialmente, ambas já registradas no Brasil. O exemplar observado em Paraty pertence à espécie de barbatana curta, considerada a mais comum no Atlântico Sul.

Apesar da frequência maior de registros, Larissa alerta que o cenário de conservação é preocupante. O tubarão-mako consta como criticamente ameaçado na lista brasileira de espécies em risco de extinção atualizada em 2026. A pressão pesqueira sobre cardumes oceânicos, aliada à lenta maturidade sexual – machos demoram de 7 a 9 anos e fêmeas de 18 a 21 anos para se reproduzirem – contribui para a vulnerabilidade populacional.

O episódio reforça a importância do monitoramento contínuo e de ações educativas. Especialistas defendem que a divulgação responsável de avistamentos pode fomentar a preservação da biodiversidade marinha sem alarmar turistas ou moradores locais.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.
Entre no Grupo de Notícias